terça-feira, 20 de julho de 2010

Fernando Ribeiro

Jorge Adelar Finatto


Existem artistas que vivem encobertos por uma espessa e injusta nuvem de esquecimento. Isso acontece em todas as artes, da música à literatura. O mercado de arte é regido por valores comerciais e costuma ser perverso com quem não se adapta às suas demandas. A qualidade não é nem de longe a referência mais importante. Há exceções, sim. Poucas. O criador que fica quieto no seu canto, trabalhando sério, procurando fazer o seu melhor, distante de estratégias de marketing, tem grande chance de permanecer à margem, esquecido. Fico pensando quantos Van Goghs andaram pelo mundo sem ser notados. Quantos Villa-Lobos, quantas Coras Coralinas (essa que deu outra face à poesia em língua portuguesa e continua pouco conhecida).

Me lembro, também, de Fernando Ribeiro, excelente músico e compositor, que alcançou algum reconhecimento na década de 1970 em Porto Alegre. Dono de uma voz cálida e de um violão contido e harmonioso, fez belas parcerias com o letrista Arnaldo Sisson. Está muito esquecido. Seu disco Em Mar Aberto (1976) é uma obra de grande qualidade que precisa ser reeditada. Fernando morreu aos 56 anos, em 2006, ainda jovem para os padrões de hoje.

Penso nos que estão nascendo agora e nos que virão depois. A memória cultural não pode perder-se. É preciso levar adiante essas informações e registros. A isto chamamos tradição: a passagem do bastão pelos que nasceram antes aos que vêm logo adiante.

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Foto: capa do disco Em Mar Aberto, EMI, Fernando Ribeiro, 1976.

2 comentários:

  1. Tenho esse disco Adelar. No velho e bom vinil. Atualmente, é uma raridade, tanto como peça como pela excelente qualidade musical e poética.
    Há alguns anos atrás mantive breve contato com Arnaldo Sisson. Ele é um poeta bissexto na WEB e encontrando uma obra sua acabei buscando seu e-mail e tive breve diálogo com ele.
    Infelizmente, está à margem do mercado cultural, levando uma vida profissional longe dos palcos.
    De certa forma, Adelar, nós que carregamos, ainda, esta memória cultural devemos, dentro de nossas possibilidades divulgá-la pelos meios ao nosso alcance.
    Lembro que faço isso com poetamigos e outros que não conheço como o saudoso Cacaso.
    Somos esta centelha de inquietação, ainda, Adelar, nestes tempos de massificação e emburrecimento em larga escala.

    Abraço.

    Ricardo Mainieri

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  2. Caro Ricardo.

    Admiro o teu trabalho como poeta e esse outro, de divulgar o que outros fazem.

    Isto é compromisso e é generosidade.
    Parabéns.

    JF

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