sábado, 23 de novembro de 2013

Pescadores limpam as águas

Jorge Adelar Finatto

photo: Luciano Lanes. Divulgação da Prefeitura de Porto Alegre
 
Se queres limpar o mundo, começa limpando a tua casa. 
 
A Ilha da Pintada é uma das ilhas que habitam o rio Guaíba em Porto Alegre. Como todas as ilhas, tem seus pescadores, e os pescadores têm suas histórias. Eles escreveram uma bela página na última quinta-feira. Saíram para o rio em 150 barcos, a fim de recolher a sujeira das águas.
 
O resultado desta "pescaria" foi o recolhimento de 20 toneladas de lixo. Havia de tudo: aparelhos de televisão, sofás, colchões, pneus, tanques de plástico, garrafas pet, para-choques de carro e muita coisa mais.
 
A ação dos pescadores - que incluiu também a limpeza de um fragmento dos rios Jacuí e Gravataí - tem o nome de Pescando Lixo. Trata-se de um mutirão organizado pela Colônia de Pescadores Z-5, da Ilha da Pintada, com a participação de órgãos dos governos estadual e municipal.
 
O diretor da Colônia de Pescadores, Vilmar Coelho, observou que esta foi a nona edição do projeto. Disse ele ao jornal Correio do Povo, de Porto Alegre: "É uma maneira de o pescador aproveitar o tempo parado para retirar o lixo do rio, pois com menos lixo vai ter mais peixe". Acrescentou que falta mais apoio ao mutirão, pois os pescadores não recebem sacos para o lixo nem luvas se proteger. 
 
O "tempo parado" por ele referido decorre de ser época em que a pesca é proibida em face da desova dos peixes, período conhecido como do "defeso".
 
O material recolhido foi entregue ao Departamento de Limpeza Urbana de Porto Alegre para reciclagem. O restante irá para aterro sanitário.
 
Se queres limpar o mundo, começa limpando a tua casa. É a idéia que me ocorre ao ver o gesto dos pescadores da Ilha da Pintada, com sua população formada por descendentes de açorianos e africanos.

Se os habitantes do continente ainda são capazes de desatinos como jogar esse lixo nas águas (até quando?), o ato que nos redime tem que vir dos ilhéus.
 
A salvação virá talvez das ilhas... Nelas o rio limpo e o peixe vivo são mais importantes que tudo, e a alegria dos barcos em movimento não tem preço.
  

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