quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Cantar de amores

 Jorge Finatto

                             



Em tempo de afetos ligeiros, não é comum ouvir alguém cantar de amores.  Fala-se no fim do amor romântico. Não se anda mais com os pés em nuvens, não se voa entre estrelas com cata-vento ao chapéu. 

Nada de emoções fortes que amolecem as pernas, apressam a respiração e ofusquem o pensamento. Dirá o poeta que roubaram da primavera as flores e, das naus, o vento cálido rumo à ilha desconhecida. O tempo não está para poemas desbragados cantando o amor.

Mas nem tudo são pedras. Ouça a canção “Chico” da cantora e compositora Luísa Sonza. Ela tem 25 anos e é natural da cidade de Tuparendi, no Rio Grande do Sul, nosso Estado tão devastado por ciclones nos últimos dias. A música do álbum “Escândalo Íntimo” é uma suave notícia em meio às inumeráveis tragédias que assolam a nós e ao planeta.

Ao embalo melódico da Bossa Nova, "Chico" é uma declaração de amor como não se usa mais. Arranca emoção mesmo dos corações mais desiludidos. Num mundo em que se perdeu a capacidade de amar o amor romântico, por medo de entregar o coração ou por qualquer outra coisa, ouvir “Chico” é um tapa na cara da indiferença.

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photo: jfinatto

sábado, 9 de setembro de 2023

Viajando na fotografia

                                               Jorge Finatto 

 

photo: Lago Lugano, Suíça, jfinatto

Gosto de entrar na fotografia. E de viajar nela. Caminho na beira do lago. As gaivotas voam sobre as árvores e os bancos. Pouca gente no lugar. Início do outono. 

Só penso em andar, mais nada. Em respirar, mais nada. Os dois pés no momento. O que não for agora não interessa nessa hora. Andar assim é sempre bom. 

Depois sento no banco. Do outro lado é a Itália. Mais abaixo, a África. O mundo é mesmo um só quintal. Guardo o livro sobre o colo. Fecho os olhos, respiro fundo. 

Habito o instante. Quero que todos fiquem bem.