domingo, 5 de maio de 2019

Os meus velhotes

Jorge Finatto
 
Café, Museu Chaplin, Vevey, Suíça. photo: jfinatto
 

ELES REÚNEM-SE todas as quartas e sábados num café perto da minha casa. Sempre na mesma mesa. São quatro, às vezes cinco. Não faço parte do grupo. Chamo-os de "os meus velhotes" com secreta intimidade. Nunca conversei com nenhum deles. É provável que nem deem pela minha presença.

Velhotes são esses carinhas passados dos 70 que insistem em viver e, mais ainda, em conviver. Na minha paisagem afetiva, são figuras importantes. Trazem a marca da resiliência, persistem na amizade e na vontade de levar o barco adiante. Eu gosto e admiro pessoas assim.
 
Quando ando meio desanimado, vou ver os meus velhotes. Sento na mesa costumeira, peço o café e leio alguma coisa. Entrementes acompanho o entusiasmo do grupo. De alguma maneira, aqueles cabelos brancos me dizem que vale a pena, que existe felicidade no fato de continuar respirando e ir ao encontro dos amigos para um bate-papo num café.