sábado, 22 de agosto de 2015

O amor é um invento

Jorge Adelar Finatto

photo: jfinatto
 

Os motivos de ser feliz são simples. Um vaso de flor sobre a mesa, o sorriso de alguém, o quarto em sossego nos fundos da casa.

O som das gotas da chuva sobre um balde no quintal. Os passarinhos livres, cantando  seus fados.

Un recuerdo del corazón...
 
Um dia ele foi feliz sentado num banco de praça, a Praça dos Açorianos, em Porto Alegre, a poucos metros do Guaíba. Ela estava ali junto com ele. Em torno do banco, os galhos de um salgueiro-chorão vinham até o chão, formando uma redoma de fios verdes sobre o casal.
 
As águas do lago passam lentamente sob os arcos da vetusta Ponte de Pedra. Era inverno, tarde de sábado, ele emprestou seu casaco a ela.

Uma nesga azul aparecia entre as nuvens.

Por que, na ampulheta de ser feliz, o tempo escorre feito cachoeira?

Estar com ela, no silêncio verde da redoma de um salgueiro, fazia dele um homem feliz. Perigosamente feliz.
 
A memória daquela tarde ficou nele impregnada. Não como uma ferida. Como celebração. Essa é uma das razões que o fazem pensar, nessas noites longas de inverno, que não passou pela existência em vão.

No fundo do espelho das águas do lago, o casal ficou para sempre guardado. 
 

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