sexta-feira, 20 de junho de 2025

Uma cidade na Itália: Tirano







Algumas imagens da cidade no norte da Itália.

sábado, 7 de junho de 2025

Juízes e democracia


Jf


Participei de seminário na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (fundada em 1290), com presença de magistrados brasileiros e portugueses. O avanço das forças do atraso contra o Poder Judiciário, visando o enfraquecimento das democracias, foi um dos temas tratados. 
Juízes independentes com sólida formação técnica e humanista são garantias do cidadão. 
Direitos humanos e limites para o uso da inteligência artificial pelos  magistrados também estiveram presentes.

domingo, 1 de junho de 2025

Dindim e o pescador

                                            Jorge Finatto


Snow


Foi notícia há alguns anos. O caso de um pescador que encontrou um pingüim-de-Magalhães, da patagônia, caído na areia. Estava passando mal, coberto de óleo. O pescador João recolheu-o, levou para casa e passou dias e dias limpando. Conseguiu salvá-lo. Desenvolveu-se então uma grande amizade entre eles que evoluiu para amor. O pescador deu-lhe um nome: Dindim. 

O fato aconteceu num lugar paradisíaco, numa ilha de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. O pingüim tornou-se membro da casa. Depois partiu. Após alguns meses voltou para rever o amigo, numa viagem estimada em oito mil km, desde a Patagônia. Fez isso durante anos. Um dia não voltou mais, não se sabe bem por quê. João não perdeu a esperança de vê-lo sair do mar para um abraço outra vez.

Essa é apenas uma das histórias que ilustram o forte sentimento que pode haver entre pessoas e animais. Creio que eles têm um tipo especial de inteligência, são corajosos e capazes de amar incondicionalmente seus amigos humanos, amparando-nos e divertindo-nos. Coisa que não se vê em muitos seres - ditos - humanos. 

Maltratar animais, além de crime, é um péssimo sinal de caráter.

Eu tenho um cãozinho que é a minha alegria, o Gambelinho. Impressionante sua capacidade de perceber coisas que estão fora do nosso alcance. E traz energias boas à família. 

São seres que têm uma missão no mundo. E, como nós, têm alma.

 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Francisco acolhedor

                                                                                                                                                                                              Jorge Finatto


Wikipédia
Korea. net


Na minha visão um tanto pessimista, o Papa Francisco não melhorou o mundo. Talvez não seja justo esperar de alguém tal proeza (mesmo que seja o Papa e que esse Papa seja Francisco). A Igreja Católica é uma organização altamente complexa  e problemática, ao contrário dos Evangelhos que são, na essência, bastante simples. 

Francisco transmitiu humildade, coragem, senso de humor, empatia, alegria de viver mesmo diante das dores do mundo. Era argentino, descendente de imigrantes italianos.

Uma vez o repórter Gerson Camarotti (Globo News) perguntou-lhe como via a rivalidade entre Brasil e Argentina. Ele respondeu mais ou menos assim: as coisas estão equilibradas; afinal o Papa é argentino, mas Deus é brasileiro...

Uma publicação esportiva indagou-lhe quem era melhor: Maradona ou Messi. Respondeu: Pelé. Era torcedor de carteirinha do San Lorenzo. 

Um Papa diferente, porque era um ser humano diferente. Avesso à pompa inerente ao cargo pontifício, que, de resto, não tem a ver com as origens do Cristianismo. 

Gostava das pessoas, gostava de viver com as pessoas, desprezava grandes aparatos de segurança. Amava o ofício de viver. Seu testemunho fez dele mais do que um Papa: um amigo de todos na caminhada pela vida.

Se houver lucidez a quem incumbe escolher o novo Papa, o legado de Francisco não poderá ser ignorado. 

sábado, 12 de abril de 2025

terça-feira, 1 de abril de 2025

Beira do lago

                                            Jorge Finatto


Imagem jfinatto


Caminhando na beira do lago, encontrei o outono...

     


domingo, 16 de março de 2025

Quinquilharias do Adelar

                                          Jorge Finatto


photo: Clara Finatto, 16.03.25

                                                                                                                          

Jogo de damas

O vento sopra entre as paredes da tapera. As janelas batem sobre o horizonte vazio. As xícaras de latinha entornam silêncio. Os fantasmas jogam damas no telhado. O esquecimento devora tudo. A vida é amargamente engraçada.

 

Mas em que mundo tu vive*

José Falero é um escritor que me entusiasma. O que não é pouco já que estou meio que largando o hábito de monge da literatura. O que me interessa é a escrita.  Falero tem idade de novo (38) e uma escrita que o coloca entre os melhores que tenho lido. Um texto que faz bem porque fala direto ao coração e à consciência com simplicidade joão-gilbertiana. Não rende tributo a intelectualismos ocos nem sintaxes asfixiantes. Traz a palavra nascida do mais profundo cotidiano. Antirracista, irônico, duro, humano, sem esquecer a alegria e a poesia da vida. Trabalhou como auxiliar de pedreiro, funcionário de supermercado, porteiro de edifício, palhaço em peça de teatro, toca cavaquinho, entre outras ocupações. Mas creio que o ofício que mais lhe cai bem é mesmo o de escritor, porque fala por ele e por muita outra gente que não tem voz nem vez. Escrevendo assim, estimula a que muitos escrevam também. E delicia quem ama a boa palavra nos livros.

*Crônicas de José Falero, Editora Todavia, 2021.

 

Aurelião

Durante alguns anos fui revisor de livros, profissão essencial e pouco valorizada. Sempre trabalhei com obras de consulta. Entre elas, aquela a que mais me afeiçoei foi o Aurelião, companheiro de infindáveis horas fechado em salas inóspitas. Ao percorrer caminhos do léxico muitas vezes encontrei palavras-viagem, e nelas viajei muito além das solitárias quatro paredes.

 

Outono

O outono chega na semana que agora entra. Caminhando, vou ler o que dizem as folhas amareladas. A bananeira lá de casa me lembra amorosamente o poeta Matsuo Bashô. Porque se parece com ele. Bom outono a todos.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Um mundo

                                                               JF


Da série "Quem tem um jardim tem um mundo"

 


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

As espadas e a donzela

                                                                J.F.


Jf

No alto da palmeira, as folhas em forma de espada protegem sua donzela. Enquanto eu, singelo jardineiro, deixo a faina de lado para me encantar com ela.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Mais perto do céu

                                                              J.F.


photo: jf

Capela no alto da montanha Gornergrat, cercanias de Zermatt, Suíça. Mais perto do céu, fisicamente falando, e do silêncio.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

A queda

                                                                 J.f




Choveu

parou


um cara

subiu no

arco-íris


caiu um tombo


acordou

sábado, 18 de janeiro de 2025

Nesga

                                                              J.F.


Jf


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Sublime arquiteto

                                                               JF. 


photo: jf

Quando vejo uma rosa assim no meu jardim, não consigo deixar de pensar em Deus. Ele é o sublime arquiteto de tantas coisas lindas no mundo. Não bastasse o "design" magnífico, o Criador dotou as rosas de incomparável perfume, coisa que nenhuma mente ou máquida é capaz de fazer. E isso tudo sem cobrar direitos de autor.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Verde 2025


                                                        JF


Verde esperança, verde pássaro, verde vento, verde que te quiero verde, verde caturrita, sonhos verdes, verdes manhãs, corações verdes, verdes abacates, verdes dias, verdes temperos, verdes arautos, verdes memórias, verdes matas do meu país, rios e mares verdes, verde luta, verde resistência, 

verde que te quiero verde

verde

verso eterno de Federico García Lorca, para desejar

Um verde 2025!

(photo de Ricado Gasparin, no jardim)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Calado

                                                                 JF


photo: jf


Um resto de frio anda por aqui. Um frio tardio que tem saudade do inverno...É bom andar pela estradinha de chão batido ouvindo o córrego  passar, espalhando sua canção na tarde silenciosa. É bom sentir o cheiro que vem do mato. É bom sentir. Calado.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Depois da chuva

                                               Jorge Finatto


photo: lucas finatto

Depois da chuva, a luz do pacto com Deus (pacto firmado por ocasião do Dilúvio, tendo por sinete o arco-íris)).

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Dádiva

 

photo: jfinatto, porto alegre

Dia nascendo. Dádiva.


domingo, 6 de outubro de 2024

A barbárie infinita

                                                              J.F.

photo: jf


07/10/2023 - 07/10/2024


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O Sol persiste

                                             Jorge Finatto

photo jfinatto, 19.9.24


Atrás da fumaça, o Sol persiste,  saindo de fininho, no fim de tarde. 

Não é espetáculo, é uma denúncia.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Saudade do céu (e do ar pra respirar)

                                                                                       Jorge Finatto


photo: jfinatto


Não bastassem as graves consequências das enchentes de maio, agora vem por cima das nossas cabeças a espessa e sufocante fumaça dos incêndios florestais na Amazônia, Cerrado, Pantanal, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros lugares.

É triste ver os céus do Rio Grande tomados por essa fumaça sem precedentes. Há diversos dias o azul desapareceu, o Sol se escondeu, a Lua sumiu, a fuligem tóxica se espalhou. O uso de máscaras voltou a ser necessário.

Especialistas preveem o aumento de doenças respiratórias com incremento de mortes. Fala-se, também, que grande parte dos incêndios é criminosa. A flora e a fauna dos locais incendiados padecem brutalmente.

A recente tragédia levou muitas vidas e causou enormes danos (o aeroporto de Porto Alegre ainda não voltou a funcionar). Agora mais isso. O problema não é de Deus, é da turma aqui da planície, no Brasil e em muitos outros países. 

O planeta e a vida nele estão afundando. Não por falta de ciência, mas por falta de consciência. Como não existe Planeta B, é mais do que hora de cuidar desse (pequeno e maltratado mundo azul), enquanto houver tempo.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Reverência ao espírito humano

                                                                                  Jorge Finatto

photo: Hannah McKay , Reuters.

Das coisas que vi nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 a mais impressionante foi o gesto das atletas americanas de ginástica artística, no pódio, reverenciando a ginasta brasileira Rebeca Andrade. As americanas, uma de cada lado de Rebeca, dobraram um dos joelhos e estenderam os braços, saudando a brasileira galardoada com o ouro olímpico. 

Simone Biles e Jordan Chiles enalteceram o espírito olímpico, a competição saudável, o respeito ao outro, colocando a fraternidade e a sororidade como valores acima da disputa. Rebeca retribuiu o gesto segurando as mãos de ambas. Porque, para as três, competir é uma forma de convivência e não de eliminação ou destruição do competidor adversário. 

Ganhar uma medalha olímpica pode ser ótimo, mas mais do que isso o que vale é estar junto, vivendo um momento de prática esportiva baseada na dedicação e na superação. Só é possível essa competição, como é óbvio, porque existe o outro para dividir a experiência.

A reverência de Biles (considerada uma divindade no mundo da ginástica) e Chiles foi o fato mais representativo e belo destas olimpíadas. No esporte como na vida um dia se ganha e noutro, não. 


Não existem vencedores e perdedores definitivos. Uma lição de humildade e transitoriedade que enaltece a todos. O contrário disso é passar o resto da vida numa eterna corrida de espermatozoides que não faz muito sentido.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Jacus da casa

                                             Jorge Finatto


photo: jfinatto

                              

Jacu, também conhecido pelo nome científico de penélope obscura, é um herbívoro de grande porte que costuma andar quase sempre em dupla. A palavra jacu vem do Tupi e significa "o que come grãos". Quando abre as asas, faz sombra no entorno. 

Ele voam pelo arvoredo da nossa casa, andam no quintal e visitam diariamente a sacada do meu gabinete. Ofereço-lhes bananas e milho.

Os grãos de café recolhidos das fezes do jacu produzem um dos cafés mais caros do mundo.

Dizem que ter jacu por perto favorece a espiritualidade, pois ele possui forte energia espiritual. A ave seria símbolo de coragem, ousadia e conexão com o divino. Não sei de onde vem isso. Mas não importa. O que sei é que é bom tê-los por perto.

terça-feira, 23 de julho de 2024

O tempo das magnólias

                                                                                                                                       J.F.

photo: jfinatto

Inverno é tempo das magnólias que voltam para iluminar os jardins, dos mais humildes aos mais ricos, depois da tenebrosa pandemia, da trágica enchente, das inúmeras e irrecuperáveis perdas. 

Um tempo mais doce do que amargo, o das magnólias. 

Um tempo agridoce, um tempo de esperança.