segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Capela dos Ossos

Jorge Finatto
 
Capela dos Ossos, Évora. foto de celular: jfinatto
 
Fui a Évora, no Alentejo, para conhecer de perto a Capela dos Ossos. Construída por três monges franciscanos no interior da Igreja de São Francisco, no final do século XVI, tem as paredes e colunas cobertas por caveiras e ossos humanos retirados dos túmulos das igrejas e cemitérios da cidade. Fala-se que 5 mil caveiras revestem o interior da capela, além dos ossos.
 
Os monges quiseram lembrar aos vivos o destino que os espera, a transitoriedade da vida. Desejaram, também, chamar a atenção para a necessidade de uma visão mais transcendente da travessia terrestre, muito além das mesquinharias e do desejo de acumular bens materiais. 

Capela dos Ossos, Évora. photo com celular: jfinatto

 No mármore, sobre a porta de entrada, lê-se a inscrição:

Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.
 
Capela dos Ossos. photo com celular: jfinatto

A ideia é valorizar a espiritualidade acima das vaidades do mundo, diante do fim inexorável que a todos espreita.
 
A impressionante visão que se tem, no interior da Capela dos Ossos, faz crer que os monges alcançaram seu objetivo.

Capela dos Ossos, Évora. photo com celular: jfinatto


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bem-vindos a Beirais

Jorge Finatto

Carvalhal (Beirais). photo de celular: jfinatto
 
Um dia, por acaso, assisti a um episódio da série Bem-vindos a Beirais, produzida pela RTP (Rádio e Televisão de Portugal). As imagens da RTP chegam ao Brasil através de seu canal internacional.

Fiquei tocado com a simplicidade, humanidade e humor daquelas histórias. Nada a ver com a overdose de violência e sexo, tão comum nos filmes e novelas exibidos nas televisões do mundo. Gostei tanto que passei a assistir sempre que podia. Era uma pausa para a leveza no meu dia a dia.

photo de celular: jfinatto
  
Os personagens de Beirais vivem um tempo em que é possível ter tempo para viver e ser gente. Alguns dos personagens centrais foram de Lisboa para o interior, buscando uma nova vida longe da desumanização da cidade grande. Nisso lembram um pouco a trama de A cidade e as serras, obra-prima de Eça de Queirós.

Os beiralenses podem parar durante o dia para conversar com os amigos e vizinhos, vivem suas aventuras na paz interiorana onde nada ainda está perdido. Habitam um modo de vida que nos é negado nos grandes centros urbanos, ao qual a maioria das pessoas não tem mais acesso. Ali está a cidadezinha do interior com seu ritmo próprio, suas virtudes e defeitos (poucos na verdade).

photo de celular: jfinatto
 
Impressionado com a vida presente nas histórias e com os belos cenários, tinha planejado conhecer Beirais quando viesse outra vez a Portugal. Foi o que fiz. Só que Beirais não existe. O que existe é a pequena Carvalhal, situada a cerca de 90 km de Lisboa. A cidadezinha que virou cenário é um lugar bonito, recolhido em meio à natureza, distante do ruído, da pressa e da poluição. Lá está a igreja, o largo com a cruz, as vielas que nele desembocam com suas casas coloridas, com flores na janela.

Um lugar preservado, com pessoas gentis e acolhedoras, que vale a pena conhecer. A série continua no ar aqui em Portugal e no Brasil.

photo de celular: jfinatto