quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Castelo dos Mouros, Palácio da Pena, Glauber Rocha, Café Saudade

Jorge Finatto
 
Palácio da Pena (fragmento). photo com celular: jfinatto, fev. 2016
 
Um passeio à cidade de Sintra, cercanias de Lisboa, poucos dias antes de voltar à Suíça. Levei o filho adolescente para conhecer o Palácio da Pena. Ele, depois, insistiu em me levar a subir as escadas escarpadas das muralhas do Castelo dos Mouros, coisa que nunca havia feito em visitas anteriores.
 
Resquício e testemunho da rica presença árabe na Península Ibérica, do castelo, construído no século IX, restaram as ruínas do que foi. Ruínas bem cuidadas, com espaços restaurados e história resgatada. Virou Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

É o que sobrou depois de tantos séculos em que, além da vida cotidiana no escorrer da ampulheta, ocorreram batalhas e desastres naturais no local. Escavações arqueológicas identificaram objetos da Idade do Bronze, da Idade do Ferro e do Neolítico, entre eles um vaso cerâmico completo do 5º milênio a.C..

Judeus viveram no local, no século XV, até sua expulsão de Portugal.
 
Na metade da subida, pensei em desistir. É muito íngreme e é preciso ter sobra de fôlego paga chegar até a parte mais elevada das muralhas. Ao descansar entre as ameias, percorrendo o caminho das torres, procurei não olhar para baixo.

Castelo dos Mouros. photo com celular: jfinatto, fev. 2016
 
Mas Deus é pai e não abandonou este seu pobre servo. Deu-me forças para seguir adiante. Seria um vexame ficar cá embaixo vendo o filho subir sozinho às alturas (na minha cabeça, os filhos estão sempre necessitando de nós, embora isso não seja verdade). Por fim, a visão que se tem no alto compensa o esforço.

photo com celular: jfinatto, fev. 2016
 
O Palácio Nacional da Pena, construído no século XIX pelo rei Fernando II, é uma obra arquitetônica notável, no alto da Serra de Sintra. Vale a visita, mostrando como viviam os nobres. O lugar é rico em equipamentos, alguns avançados para a época. Os espaços são generosos e requintados. Um luxo. A realeza nunca passa mal, ao contrário do povo. A desgraça de sempre.

Palácio da Pena. photo com celular: jfinatto, fev. 2016
 
Um grande cineasta brasileiro viveu em Sintra seus últimos dias, Glauber Rocha. Imagino que ele talvez tenha feito imagens da bela pequena cidade. Se o fez, devem ser muito interessantes.
 
Na volta, paramos no Café Saudade, perto da estação de comboios. O lugar é perfeito para provar as iguarias locais, doces ou salgadas; tem conforto, o atendimento é bom e os preços são bem razoáveis. E, como diz o nome, deixa saudade.

Café Saudade, fachada. photo: Saudade.pt*

Sintra vale o olhar. Com sua gente, vielas, casario, monumentos e palácios, além da serra, donde se avista o mar. Fica a um pulo de Lisboa, passeio de trem. Uma viagem no tempo e na beleza.

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*Café Saudade:
http://saudade.pt/en/contact_us/
 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Coruja: o retorno ao ninho

Jorge Finatto

trem suíço. fonte: swisstravelsystem*
 
Pois fui ao escritório dos Caminhos de Ferro Suíços, no aeroporto de Zurique, conforme e-mail que me mandaram, a fim de buscar a Coruja, ex-máquina fotográfica, quase um ser humano.

Tinha perdido dentro de um trem em Berna, conforme já aqui relatado. Dentro do estojo tinha canetas, carregador, cabo usb, um calepino.

Estava tudo como quando perdi. Paguei 20 francos suíços, cumprimentei-os pelo trabalho e fui comemorar com um café ao lado, feliz da vida. Agora ando com a Coruja a tiracolo. A partir de hoje paro de fotografar com o celular.

Viver numa sociedade regrada pelo princípio da confiança e da solidariedade social faz toda a diferença. E como faz bem ao coração.

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Swisstravelsystem:
http://www.swisstravelsystem.com/pt/highlights-pt/rotas-panoramicas.html