sábado, 27 de julho de 2019

Um futuro talvez

Jorge Finatto
 
photo: jfinatto

 
O QUE EU penso da situação do Brasil? Considero uma das piores que já testemunhei. Não vejo trabalho suficiente neste governo nem projetos capazes de construir um país mais justo e humano. Não há sequer uma retórica razoável por parte de quem dirige a nação. Fala-se muito, e mal, o tempo todo. E pensa-se pouco.

O governo da hora, além de não traçar um caminho claro para tirar o país do abismo, mostra-se incapaz de acender a esperança da população. Sinto-me profundamente frustrado com o rumo das coisas. Como milhões de brasileiros desempregados, desalentados e deprimidos, que esperavam algo melhor. 
 
Não me coloco entre os que defendem o atual governo (como poderia?) nem entre os que o atacam ferozmente como se fosse a quintessência do mal. Por quê? Porque ele é a óbvia conseqüência de desgovernos anteriores. Os últimos governos prepararam o terreno para a terrível realidade econômica e social que vemos hoje.

A discussão sectária que se trava não faz nenhum sentido. Não existem angelitos nem de um lado nem de outro. Enquanto uns e outros se digladiam, o Brasil afunda e o povo sofre. Precisamos avançar.
 
Impressionante a força do obscurantismo entre nós. Mas eu acredito no poder dos bons exemplos e dos bons gestos. Nos indivíduos pensantes, sensíveis e solidários que são agentes de transformações humanizadoras à margem da política tradicional. Juntos podem alguma coisa. Talvez com eles seja possível um futuro. 
 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Dançarino cubano em tarde lilás

Jorge Finatto
 
photo: jfinatto

 
BAILARINO CUBANO desliza passos voláteis na Peatonal Sarandi ao som de rumbas, merengues e salsas. O pequeno aparelho de cd encostado na parede, o cesto colocado em frente para recolher as doações dos passantes. A tarde é fria, o céu é lilás (nunca vi um céu assim antes).
 
O dançarino tem uma graça natural e parece não tocar o chão com seus pés mágicos. O corpo leve evolui em trejeitos e meneios encantadores. A ginga e a alegria dos movimentos mostram que é possível levitar acima da dureza da vida e da tristeza.
 
É bom caminhar sem rumo por essas ruas de inverno cobertas de plátanos em Montevideo. Esta cidade onde a vida dança e acontece longe dos shoppings.

Ciudad Vieja. foto: jfinatto