sábado, 1 de julho de 2017

Corvo, camélia e guarda-chuva

Jorge Finatto
photos: jfinatto
 

UM DIA apareceste no meu jardim com a cara mais linda desse mundo. Guardei tua imagem para a eternidade fugaz de um álbum digital. Não és apenas uma a mais no mundo: és a camélia que nasceu de um sonho de delicadeza do Criador.


EM ALEGRE bando, dançam pelos céus de Canela, nenhuma chuva cai sobre os panos coloridos, mas vento, o andarilho vento de julho embala as cores e a pura alegria de ser.


O CORVO do cemitério Père-Lachaise*, em Paris, se dá ares, faz caras e bocas no galho seco sobre os túmulos de gente famosa (Balzac, Proust, Oscar Wilde, Chopin, etc.) Em Paris até mesmo os corvos fazem pose e se consideram acima dos mortais...

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Delicie-se, raro leitor, clicando sobre as imagens. E que julho nos seja mais leve.

*Cemitério de Père-Lachaise:
http://ofazedordeauroras.blogspot.com.br/search?q=P%C3%A8re-Lachaise

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Van Gogh, o caminho do campo de trigo

Jorge Finatto
 
trilha de Van Gogh no trigal. photo: jfinatto
 
Se pelo menos uma vez tivesse encontrado alguém a quem pudesse abrir o coração, talvez as coisas nunca tivessem chegado a tal ponto.*
                                           Theo Van Gogh

VAN GOGH TRILHOU este caminho algumas vezes, no campo de trigo, parte alta de Auvers-sur-Oise, perto de Paris, a última morada. A íngreme e solitária ladeira desemboca no amarelo trigal.
 
Sim, sempre o amarelo, esperança na vida, girassol, alegria breve em meio ao turbilhão da doença mental e da solidão que o atormentam até o fim.
 
Ele sobe a ladeira já sem ilusões. A morte está próxima. A única ponte de contato com a lucidez, os homens e a vida é o trabalho. Carrega o equipamento de pintura às costas e o chapéu de palha. Busca um pouco de luz, ar puro, a amiga natureza, o silêncio. Ali pinta Trigal com corvos, um dos últimos quadros, exatamente nesta encruzilhada.
 
lugar onde VG pintou Trigal com corvos. photo: jfinatto
 

Trigal com corvos. fonte: Van Gogh Museum, Amsterdam
 
O poeta das cores, das longas caminhadas solitárias, do cavalete e do chapéu de palha não sabia viver só e, no entanto, quase nunca viveu de outra maneira.

O inverno da doença, da incompreensão, da miséria e da falta de reconhecimento o levaram ao fundo do poço. Mas ali, curiosamente, havia cores, formas e emoções vivas e elas iluminaram o seu e o nosso mundo.
 
Este mês de julho, em que se recorda o 127º aniversário de morte do artista, no dia 29, haveremos de lembrá-lo aqui no blog e na exposição que farei a partir do dia 25 de julho no Café do Porto, em Porto Alegre. Intitula-se O último quarto de Van Gogh e retrata o sombrio quartinho do artista no sótão do Auberge Ravoux, algumas de suas últimas pinturas e lugares onde as realizou a poucos dias da morte.
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*Van Gogh, a vida. Steven Naifeh e Gregory White Smith. pág. 823. Tradução de Denise Bottmann. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.