quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A cidade do olhar

Jorge Finatto

Petite France. Estrasburgo. photo: jfinatto
 
ESTRASBURGO é uma danação para o fotógrafo. Pra todo lado que se olhe, há beleza, história, ruazinhas perdidas no tempo e o rio L'ill que atravessa a cidade em vários braços. Está situada à beira do rio Reno (margem esquerda), que separa França e Alemanha. Do outro lado da ponte fica a germânica Kehl, que se visita pegando um bonde.
 
Segunda mais importante cidade universitária da França, logo após Paris, capital da região da Alsácia, sede do Parlamento Europeu e da Corte Europeia de Direitos Humanos, tem pelo menos dois mil anos (foi fundada pelos romanos no ano 12 antes de Cristo como reduto militar).
 
Ao longo do tempo Estrasburgo foi disputada por alemães e franceses, pertencendo ora a um lado ora a outro. As duas influências são visíveis em todos os aspectos, do lingüístico-cultural ao gastronômico, passando por edificações e organização urbana. Mas se se pergunta a um alsaciano como se sente, ele em geral responderá: nem alemão nem francês: alsaciano.

Estrasburgo. photo: jfinatto

A Petite France é a joia da coroa, bairro histórico declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, com suas casas em enxaimel, suas pontes, suas vielas que mergulham nos séculos. A catedral de Notre Dame, de 1439, é uma monumental obra em estilo gótico, das mais impressionantes que já vi.
 
Estrasburgo sofreu com a ocupação nazista que assolou a França. Foi bombardeada pelos americanos mas sobreviveu. Colmar, cidade próxima, foi a última cidade francesa a ser abandonada pelo exército de Hitler no fim da Segunda Guerra Mundial.

Petite France, Estrasburgo. photo: jfinatto

O grande arquiteto Le Corbusier disse que em Estrasburgo o olhar não se cansa. De fato, quanto mais se olha mais se descobrem coisas. É um lugar que seduz o olhar e os passos do viajante o tempo todo.

Estrasburgo. photo: jfinatto
 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Deus é brasileiro, mas passa férias na Suíça

Jorge Finatto
 
 
Gryon, Suíça. photo: jfinatto
DIZEM, os muito otimistas, que Deus é brasileiro. Tenho sérias dúvidas a respeito. Mas se for, será esta proximidade com Ele que nos faz levantar todos os dias e ir atrás da sobrevivência e de um sonho, num ambiente de tanta corrupção, violência, injustiça e impunidade (embora, neste caso, haja sinais de que a coisa começa a mudar).
 
Todo mundo precisa de um sonho. E de um descanso do inferno que é a vida real. Fico pensando que o Criador deve, às vezes, cansado de tanta dura realidade, deve vir passar umas férias aqui na Suíça, lugar onde colocou um bocado de seu engenho e arte. Onde temos a impressão de que o projeto humano poderá, enfim, dar certo um dia.
 
Lago Genebra ou Léman, Suíça. photo: jfinatto
 
Nós temos toda beleza do mundo na Terra de Vera Cruz, todos os tipos humanos e recursos naturais, mas não temos consciência social, e por isso não temos paz, e a esperança ultimamente anda escondida. Mas não está morta.
 
Que nosso Conterrâneo nos ajude a vencer as dificuldades. E, para ajudá-lo, façamos nossa parte olhando nossos irmãos.