segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Hay vida antes de la muerte?

Jorge Finatto
 
photo: j.finatto
 
 
EM MONTEVIDÉU, os grafites, em geral, têm espírito. As inscrições, desenhos e pinturas em muros e fachadas das ruas montevideanas não perdoam a superficialidade. Uma vez lidas, não deixam o caminhante em paz.
 
Pressentindo que seria um absurdo virar simplesmente as costas e seguir em frente, resolvi fotografar e trazer comigo a inquietante frase. Na ocasião, eu andava caminhando nas cercanias do Teatro Solis.

Hay vida antes de la muerte?

A pergunta me acompanha desde então, veio com a bagagem de volta a Passo dos Ausentes.
 
Não bastassem as perplexidades e angústias de sempre, acrescentei mais esta ao meu baú de assombros.

Afinal, haverá mesmo vida antes da morte ou seremos apenas tristes fantoches com a boca colorida de pano rasgado e olhos opacos, às voltas com o sofrimento, a indiferença, o desamparo, a solidão?

O que sei é que há dias em que me sinto muito vivo. Parece que a morte ainda não foi inventada. Em outros, contudo, viver não vale um caco de vaso quebrado.

Hay vida antes de la muerte?
 
Sí, pero...
 
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Texto atualizado, publicado antes em 14 de junho, 2011.

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