domingo, 28 de julho de 2019

Iniciação à obra de José Gurvich

Jorge Finatto
Texto e photos
 
Reprodução do ateliê de José Gurvich. Museu J. Gurvich. Montevideo.
photo: jfinatto
 
O Museu Gurvich, em Montevideo, é um belo espaço na Peatonal Sarandí. Ocupando um antigo edifício restaurado, apresenta a obra de José Gurvich (1927-1974), o notável artista uruguaio de origem judaica. Nascido na Lituânia,  aos cinco anos foi com a família para o Uruguai, fugindo da vida difícil e da perseguição aos judeus. Na nova pátria a família humilde busca adaptação, o que não demora a acontecer. Na escola primária, o nome original do menino - Zusmanas  Gurvicius - é alterado para José Gurvich. Ele começa a desenhar muito cedo.
 
Em 1942 ingressa na Escola Nacional de Belas Artes e, em 1944, passa a frequentar o ateliê do pintor e mestre Joaquín Torres-García, que o influencia e inspira. Participa de várias exposições coletivas do grupo do ateliê, no qual depois leciona. Entre 1954 e 1956 viaja para a Europa e Israel. Visita museus, estuda e pinta. Primeira exposição na Europa, em Roma, na Galeria San Marco.
 
Em Israel vive e trabalha como pastor no Kibutz Ramot Menashé, dedicando-se também à sua obra plástica. Expõe na Galeria Katz em Tel Aviv. Casa-se em 1960 com Julia Añorga ("Totó"), nascendo da união, em 1963, o único filho, Martín José. Em 1967 expõe em Montevideo, ganhando reconhecimento como importante artista nacional. Radica-se em Nova York em 1970 e desenvolve intensa atividade. Morre aos 47 anos, de ataque cardíaco, em 1974.
 
Vale a pena embarcar num avião no Brasil e ir a Montevideo só para conhecer o Museu Gurvich. Estive lá por ocasião da inauguração em novembro de 2015. Daquela vez, com o ambiente movimentado e ainda se ajeitando, não tive uma idéia clara do trabalho. Agora, em visita mais tranqüila e demorada, conheci melhor.

José Gurvich é um criador de mundos como todo grande artista. Alguém que surpreende com sua capacidade de invenção e de compor narrativas pictóricas e esculturais. Sua obra tem grande poder de comunicação. Emoção e técnica andam de mãos dadas. Ele alcançou um requinte e uma simplicidade que são fruto de muito estudo e trabalho.

Duas séries, entre outras, servem para ilustrar o tamanho deste artista: a das narrativas bíblicas e experiência judaica, incluindo os terríveis pogrom (expulsão dos judeus de seus lares e países na Europa). E as pinturas que produziu enquanto viveu no bairro Cerro, em Montevideo, retratando seus personagens, suas vidas simples e sua afetividade.
 
Não sou crítico de arte, digo o que sinto diante do que vejo. E José Gurvich me emociona. Tem originalidade e vigor. Fiz algumas fotos dos quadros e esculturas. Um dia para visitar o museu é pouco. Pretendo retornar e rever o universo do artista.

Ganharíamos muito se uma exposição de Gurvich viesse ao Brasil.
 
photo com reflexo.
 
 
O abraço. Cerâmica, c. 1960.
 
detalhe do quadro Pogrom, 1969.
 
Pareja (casal). Óleo sobre gesso e madeira. 1965

A anunciação de Sara. têmpera sobre papel. 1969.

Museo Gurvich.
 

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