quinta-feira, 4 de abril de 2024

Façamos como as rosas

                                             Jorge Finatto


                      photo: jfinatto


"Morrer não é nada. Difícil é deixar de viver."  A frase, que cito de memória, vem de um poema de Mario Quintana. E resume o meu sentimento em relação à finitude humana. 

A morte não merece maiores considerações, acontece e fim.  Viver é, sim, a grande notícia e é o que nos resta. Só de pensar que a maravilha terá fim um dia dá um nó no peito. Façamos como as rosas. Aproveitemos o milagre de cada dia.

segunda-feira, 25 de março de 2024

domingo, 28 de janeiro de 2024

Casas velhas, almas vivas

Jorge Finatto.


jfinatto, Montevideo, 26.1.24


Mario Quintana, o nosso poeta, disse alguma vez que não apreciava a arquitetura moderna porque ela não construía casas antigas. Digo eu que mesmo casas abandonadas conservam no semblante uma humanidade que não encontramos nas modernas construções. Quantas histórias, quantas memórias  habitam entre estas paredes que o tempo desfigurou. Mas se um dia um novo morador abrir-lhes as portas cerradas, começarão tudo outra vez, povoando-se de vida desde o sótão até o porão. E outras histórias serão contadas. Precisam apenas de uma mão amiga que lhes abra as ventanas para o Sol entrar e povoar de ouro a escuridão.


domingo, 21 de janeiro de 2024

Inspiração

Jorge Finatto

photo: jfinatto


Todas as manhãs vou ao jardim ver se uma nova rosa floriu. E, quando isso acontece, me aproximo, respiro lenta e profundamente até a rosa fazer parte de mim.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Sossego

 Jorge Finatto


Longe dos fogos de artifício, sobretudo dos barulhentos, dos festejos à beira mar que cobrem a areia de lixo e poluem o mar, longe dos augúrios altissonantes e ocos de sentido, distante das gritarias e dos bêbados brindes, das falsas profecias, num lugar onde o sossego, a paz, a conversa fraterna e a natureza ainda são a melhor promessa. Cada um tem seu jeito de ser feliz (ou algo perto disso).

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photo: Canela, casa enxaimel na área do Castelinho Caracol.

domingo, 24 de dezembro de 2023

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O amor é um invento

 Jorge Finatto

photo: jfinatto

Estar sentado com ela, no silêncio verde da redoma de um salgueiro, na Praça dos Açorianos, fazia dele um homem feliz. Perigosamente feliz.

A memória daqueles dias ficou impregnada na sua alma. Não como uma ferida: como celebração da ternura. Essa é uma das razões que o fazem pensar que não passou pela existência em vão.
No fundo do espelho das águas da Ponte de Pedra, a imagem do jovem casal ficou para sempre guardada.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Embarcadero

                                                                                                         Jorge Finatto

                           



Uma tarde no cais Embarcadero. Olhando o movimenro das pessoas e dos barcos. Depois o pôr do sol avança como um incêndio sobre o Guaíba. Aos 67 eu sinto renovada ternura por tudo isso que foi e é também o meu lugar. Muitas pessoas que podiam estar aqui comigo não estão mais. Viajaram pra outras esferas. A gente viaja mesmo sem querer. Essa a lição do cais. Mas hoje estou aqui com os pés firmes no chão olhando a cidade na beira do rio. E não há solidão que atrapalhe tanta beleza.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Um jeito de ser feliz

 Jorge Finatto

Ontem, domingo, acompanhei meu filho caçula, Lucas, até o Parque Harmonia onde participou da maratona de Porto Alegre. A corrida se deu à margem do Guaíba, percorrendo a orla. Havia mais de 4 mil pessoas. Entre tanta gente, consegui ver o filho no momento da partida e na chegada sentindo a emoção de pai coruja.
Conforme entendimento do Lucas, pouco importa a classificação. Importa estar lá, participar, correr, ser feliz ao lado de outras pessoas às 8 horas da manhã de um domingo azul.
Me chamou a atenção ver vários pais levando filhos com deficiência participar da maratona empurrando-os em carrinhos adaptados. Na face daqueles pais e seus filhos vi um momento de grande felicidade. Vê-los assim me emocionou.
Um senhor que aparentava ter mais de 70 anos estava desistindo da prova, não conseguia ir adiante. Nisso aproximaram-se dois corredores, um de cada lado, e devagar o auxiliaram a continuar. Ele foi em frente e os três ultrapassaram a linha de chegada juntos...
Diante de tanta humanidade, o pódio é o que menos interessou. Todas aquelas pessoas eram vencedoras pelos simples fato de estarem ali. No final, abracei forte o meu Lucas.
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terça-feira, 7 de novembro de 2023

Solitudes na Feira do livro



"Este livro trata da solidão e do isolamento. O tema é abordado de forma delicada a partir de motivos simples do cotidiano, e o autor busca, através deles, a espiritualidade que emana dessa condição incontornável da vida humana. Se por um lado a solidão nos acompanha desde que nascemos, por outro necessitamos de proximidade para viver e realizar nossa humanidade. Quando reconhecemos nossa solidão, podemos caminhar de modo mais inteiro em direção ao outro."

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Photo de Bruna Gomes

Pedidos para:

acasadachuva@hotmail.com


quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Solitudes, o livro

                                                                                                                


No próximo dia 31 de outubro, a partir das 18h, estarei recebendo amigos e leitores no Z Café para a apresentação do meu livro Solitudes. O volume tem ilustrações de minha filha Clara Finatto. O endereço do Z é: av. Nilópolis, 543, em frente à Praça da Encol aqui em Porto Alegre. Venha para um copo e um abraço.


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

domingo, 1 de outubro de 2023

Feira do Livro de Gramado 2023

                                                 J.F. 

            



[Amigos, devido a dificuldades inesperadas, não poderei, infelizmente, estar presente na Feira de Gramado. Desejo aos organizadores e autores sucesso no evento. Abraços.]

  



Poucas coisas me fazem descer os 1800 metros de altitude de Passo dos Ausentes. Não me agrada sair da querência.

Juan Niebla, regente cego da nossa orquestra de câmara, e Don Sigofredo de Alcantis, filósofo-mor da aldeia, estimularam-me a participar da Feira do Livro de Gramado.  

Por essa razão, enfrentando geada, trovoadas e aguaceiro, estamos viajando por estradas de chão a bordo da inefável Pajero Full em direção à cidade do cinema. 

Levamos camas de campanha, lampiões, lonas, uma cozinha compacta e saleta de madeira de armar para o mate, o chá e a charla.

Ficaremos acampados no Parque do Caracol, imediações do Arroio Tiririca, em Canela, onde receberemos companheiros de estrada, até o dia do autógrafo no belo casarão do Centro Municipal de Cultura.

Abraços.