Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Estou vivo e lúcido
a vida de todos os dias, a que eu sempre quis {textos e imagens: Jorge Finatto}
Jorge Finatto
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| Castelinho Caracol, Canela. photo: jfinatto |
O tempo das bonecas ficou esquecido no sótão. Elas conversam e brincam entre si numa língua só delas.
Jorge Finatto
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| photo: Lugano, Suíça, j.finatto |
Maria Madalena teve o privilégio de ser a primeira pessoa a ver Jesus após a Ressurreição. Nenhum dos apóstolos teve essa ventura.
Jorge Finatto
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| photo: Agência Brasil, Tânia Rego |
Nunca tinha visto cerimônia tão bela e comovente de subida da rampa do Palácio do Planalto como a do presidente Lula, recém empossado. O grupo de pessoas que o acompanhou representa uma parte importante e esquecida da sociedade brasileira (sem falar da cadelinha vira-lata Resistência).
De braços com o cacique Raoni, 90 anos, ao lado de um menino negro, entre outras pessoas, recebeu a faixa presidencial da catadora negra de materiais recicláveis Aline Sousa. Jamais se viu cena tão tocante e significativa de chegada de um político brasileiro ao poder.
Lula vai acertar e vai errar, porque é humano, tem defeitos e virtudes, e a política não é feita por anjinhos.
Mas é um ser humano sensível, capaz de se comover com o sofrimento dos esquecidos e por eles lutar e trabalhar. Que tenha juízo, bom senso e que se deixe iluminar por Deus no caminho.
Não sou nem nunca fui petista, nem de qualquer outro partido. Mas ainda vejo e sinto.
Temos, enfim, um ser humano na presidência da República e isso faz toda diferença.
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Raízes firmes na terra, pensamento mirando as estrelas, braços abertos ao azul de outros abraços, respeito ao próximo, à democracia, sabendo que tudo pode mudar, como de fato mudou nas últimas eleições (e continuará a mudar, se nós assim quisermos).
Nada será como nos últimos quatro anos.
Jorge Finatto
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| Agapanto.photo: jfinatto |
Por que a arte existe? Porque a vida dói. Seja como for, a vida dói. Cada um sente o sofrimento de um jeito. A arte é uma maneira de sublimar a dor e o medo.
Às vezes o príncipe é, afinal, mais triste que o mendigo. Este pode alegrar-se com uma simples moeda e um sorriso sincero, o príncipe nem isso.
Tem gente que já se matou vivendo num castelo.
Tem gente que fica feliz ao ver o dia amanhecer, só isso.
A felicidade está no coração de quem sente.
E, no fim, ter uma casinha pra morar, o pão de todo dia e uma família é o maior tesouro. Felicidade total não existe, talvez em outra galáxia.
Viver dói e é lindo, viver é tudo que temos. O jeito é ir sendo feliz alguns minutos ao dia. O resto deixa andar, como disse Zé Keti no samba Opinião.
Jorge Finatto
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| photos: jfinatto |
A paleta de cores é infinita. Não há limite para as formas e expressões. É difícil imaginar que não haja uma inteligência por trás de cada traço, cada tom, cada som.
A beleza é uma construção de razão e sentimento. O Criador não é um jogador de dados, como salientou Einstein. E segue a dança misteriosa do universo numa flor de hortênsia...
Jorge Finatto
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| Teatro Nacional São Carlos e o chafariz. Wikipédia. Autor: Thomas |
ERA UMA TARDE de inverno em Lisboa. Saí do hotel Dom Pedro, no bairro Amoreiras, e me dirigi a pé à Livraria e Editora Cotovia, no Bairro Alto, para me inteirar dos lançamentos. Enquanto examinava a estante, um gato preto apareceu e se pôs sobre os livros em minha frente. Na verdade, uma gata bonita, cujo nome era Maravilhas. Até aí, maravilha.
Conversei com Maravilhas como sempre faço com gatos. Escolhi os livros e parti, agora em direção ao café A Brasileira (aquele freqüentado por Fernando Pessoa), no Chiado. Depois do pastel de nata e do café, rumei para a Livraria Bertrand, a mais antiga do mundo, na Rua Garrett, outra perdição.
Em seguida, caminhei até o Largo do Teatro Nacional São Carlos, um lugar bonito onde está situado o edifício no qual nasceu Fernando Pessoa. Me vali do celular (telemóvel) pra fazer algumas fotos. Havia um ruidoso grupo de italianos por ali (eu acabara de chegar de uma temporada na Itália). Até que decidi atravessar o largo e entrar no teatro.
Dei um passo em frente e... mergulhei no chafariz (a água pelas bordas). Mergulhei com capote, mochila, chapéu, manta, sacola, com tudo. Vim à tona ensopado, com tocos de cigarro enfiados nos óculos, e pedaços de papel pelo casaco.
Fiz um grande esforço pra sair. Torci pra que ninguém viesse me ajudar, queria evitar mais constrangimento. De fato, ninguém veio. Quando, enfim, consegui sair do chafariz, uma gargalhada geral ecoou na praça. Os malditos italianos não me pouparam. Um gaiato entre eles gritou que era tentativa de suicídio.
Fiz de conta que não era comigo. Saí andando meio de banda, meio tonto, gelado, molhadíssimo, pingando, com a mão e o ombro direitos machucados, sem entender o que tinha acontecido.
No fundo não havia mistério. Óculos com lentes de fundo de garrafa, visão mais ou menos (menos, menos), pensamento caçando borboletas. Fui ao fundo.
Mas, afinal, quem inventou de colocar aquele chafariz encavado no chão ali, na minha frente? E quem teve a infeliz ideia de trazer aqueles maledettos justo naquela hora?
Livros molhados, telefone molhado, passaporte molhado, ânimo e alma molhados, roupas, tudo molhado. Isso aconteceu em fevereiro de 2018.
Restou o consolo: pelo menos fiz rir a malta maledetta com a minha commedia dell'arte.
Baixa o pano.
Jorge Finatto
| photo: jfinatto |
No Brasil de hoje o humanismo é um sentimento distante dos corações e mentes. Vivemos dias duros, sem ternura e sem perspectiva. A democracia entre nós está por um fio. Ameaças às instituições, atitudes desrespeitosas contra o Judiciário, cultivo do conflito e da cizânia.
A inaceitável mistura de política e religião, do obscurantismo com a boa-fé das pessoas, atingiu níveis nunca antes vistos. Deus, que não tem nada a ver com isso, deve estar indignado com os falsos profetas. (Marcos 12:13-17)
Eu, que acredito num Deus justo e bondoso (e que reconhece as reais intenções por trás das aparências), eu não gostaria de estar na pele dessa gente "esperta" quando a indignação Dele se fizer sentir.
Enquanto isso lutamos pela paz com as armas da palavra, do entendimento, do respeito ao próximo, da rejeição a qualquer forma de ódio e violência.
Jorge Finatto
| photo: jfinatto |
VALEI-NOS, Abacaxi-Rei, Soberano Ananás, do alto da tua coroa espetada. A ti, em última instância, recorremos.
Jorge Finatto
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| Ninfa. photo j.finatto |
Ninfa. Escultura em mármore de Carrara de 1866, feita pelo arquiteto italiano Giuseppe Obino. Por muitas décadas esteve instalada na Praça Dom Sebastião, ao lado do Colégio Rosário, em Porto Alegre. Hoje, devido a atos de vandalismo, foi transferida para a praça da hidráulica do bairro Moinhos de Vento.
Às vezes uma lágrima escorre de seus olhos. Pelas mutilações de que foi vítima. Por todos os adolescentes que um dia viu cheios de ternura nos bancos da Praça Dom Sebastião.
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Esta escultura faz parte de um conjunto de quatro criadas por Obino, representando o Guaíba e seus afluentes.
Jorge Finatto
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
A primavera deixa a gente mais, digamos assim, feliz (até onde é possível ser feliz do jeito que o país ficou nos últimos anos).
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Jorge Finatto
a Dimitri e Cony
Montevideo es una ciudad grande com hábitos de cidade pequena. Aqui existe a siesta sagrada depois do almoço. Em cada esquina uma fruteira, um mercadinho, uma banca de jornal. Em comparação com Porto Alegre, não existe violência.
O Café Brasilero é parada obrigatória. De 1877, foi lugar cativo de Mario Benedetti e Eduardo Galeano, entre muitos outros poetas, escritores, artistas e livres pensadores em geral. Atendimento cordialíssimo, há anos me sinto da casa. Não existem no mundo melhores medialunas, sucos de laranja e cafés cortados.
Nesta cidade as pessoas encontram tempo para dar-se um tempo. E as livrarias são uma perdição. Não é à toa que nela viveram Juan Carlos Onetti e o Conde de Lautréamont.
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photo: jfinatto
Clara Finatto
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| Minha filha Clara, habitante de Montreux |
(Eu sou suspeito pra falar, mas achei o texto da Clara lindo e generoso. E confirmo que a experiência mais importante da minha vida foi e é a paternidade. Bjs., filha querida, e pros meninos Lorenzo e Lucas também. Amo vocês. JFinatto)
Jorge Finatto
| foto: Jorge Amado, 1972. Fundo documental: Correio da Manhã, Wikipédia |
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |