quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

As espadas e a donzela

                                                                J.F.


Jf

No alto da palmeira, as folhas em forma de espada protegem sua donzela. Enquanto eu, singelo jardineiro, deixo a faina de lado para me encantar com ela.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Mais perto do céu

                                                              J.F.


photo: jf

Capela no alto da montanha Gornergrat, cercanias de Zermatt, Suíça. Mais perto do céu, fisicamente falando, e do silêncio.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

A queda

                                                                 J.f




Choveu

parou


um cara

subiu no

arco-íris


caiu um tombo


acordou

sábado, 18 de janeiro de 2025

Nesga

                                                              J.F.


Jf


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Sublime arquiteto

                                                               JF. 


photo: jf

Quando vejo uma rosa assim no meu jardim, não consigo deixar de pensar em Deus. Ele é o sublime arquiteto de tantas coisas lindas no mundo. Não bastasse o "design" magnífico, o Criador dotou as rosas de incomparável perfume, coisa que nenhuma mente ou máquida é capaz de fazer. E isso tudo sem cobrar direitos de autor.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Verde 2025


                                                        JF


Verde esperança, verde pássaro, verde vento, verde que te quiero verde, verde caturrita, sonhos verdes, verdes manhãs, corações verdes, verdes abacates, verdes dias, verdes temperos, verdes arautos, verdes memórias, verdes matas do meu país, rios e mares verdes, verde luta, verde resistência, 

verde que te quiero verde

verde

verso eterno de Federico García Lorca, para desejar

Um verde 2025!

(photo de Ricado Gasparin, no jardim)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Calado

                                                                 JF


photo: jf


Um resto de frio anda por aqui. Um frio tardio que tem saudade do inverno...É bom andar pela estradinha de chão batido ouvindo o córrego  passar, espalhando sua canção na tarde silenciosa. É bom sentir o cheiro que vem do mato. É bom sentir. Calado.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Depois da chuva

                                               Jorge Finatto


photo: lucas finatto

Depois da chuva, a luz do pacto com Deus (pacto firmado por ocasião do Dilúvio, tendo por sinete o arco-íris)).

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Dádiva

 

photo: jfinatto, porto alegre

Dia nascendo. Dádiva.


domingo, 6 de outubro de 2024

A barbárie infinita

                                                              J.F.

photo: jf


07/10/2023 - 07/10/2024


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O Sol persiste

                                             Jorge Finatto

photo jfinatto, 19.9.24


Atrás da fumaça, o Sol persiste,  saindo de fininho, no fim de tarde. 

Não é espetáculo, é uma denúncia.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Saudade do céu (e do ar pra respirar)

                                                                                       Jorge Finatto


photo: jfinatto


Não bastassem as graves consequências das enchentes de maio, agora vem por cima das nossas cabeças a espessa e sufocante fumaça dos incêndios florestais na Amazônia, Cerrado, Pantanal, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros lugares.

É triste ver os céus do Rio Grande tomados por essa fumaça sem precedentes. Há diversos dias o azul desapareceu, o Sol se escondeu, a Lua sumiu, a fuligem tóxica se espalhou. O uso de máscaras voltou a ser necessário.

Especialistas preveem o aumento de doenças respiratórias com incremento de mortes. Fala-se, também, que grande parte dos incêndios é criminosa. A flora e a fauna dos locais incendiados padecem brutalmente.

A recente tragédia levou muitas vidas e causou enormes danos (o aeroporto de Porto Alegre ainda não voltou a funcionar). Agora mais isso. O problema não é de Deus, é da turma aqui da planície, no Brasil e em muitos outros países. 

O planeta e a vida nele estão afundando. Não por falta de ciência, mas por falta de consciência. Como não existe Planeta B, é mais do que hora de cuidar desse (pequeno e maltratado mundo azul), enquanto houver tempo.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Reverência ao espírito humano

                                                                                  Jorge Finatto

photo: Hannah McKay , Reuters.

Das coisas que vi nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 a mais impressionante foi o gesto das atletas americanas de ginástica artística, no pódio, reverenciando a ginasta brasileira Rebeca Andrade. As americanas, uma de cada lado de Rebeca, dobraram um dos joelhos e estenderam os braços, saudando a brasileira galardoada com o ouro olímpico. 

Simone Biles e Jordan Chiles enalteceram o espírito olímpico, a competição saudável, o respeito ao outro, colocando a fraternidade e a sororidade como valores acima da disputa. Rebeca retribuiu o gesto segurando as mãos de ambas. Porque, para as três, competir é uma forma de convivência e não de eliminação ou destruição do competidor adversário. 

Ganhar uma medalha olímpica pode ser ótimo, mas mais do que isso o que vale é estar junto, vivendo um momento de prática esportiva baseada na dedicação e na superação. Só é possível essa competição, como é óbvio, porque existe o outro para dividir a experiência.

A reverência de Biles (considerada uma divindade no mundo da ginástica) e Chiles foi o fato mais representativo e belo destas olimpíadas. No esporte como na vida um dia se ganha e noutro, não. 


Não existem vencedores e perdedores definitivos. Uma lição de humildade e transitoriedade que enaltece a todos. O contrário disso é passar o resto da vida numa eterna corrida de espermatozoides que não faz muito sentido.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Jacus da casa

                                             Jorge Finatto


photo: jfinatto

                              

Jacu, também conhecido pelo nome científico de penélope obscura, é um herbívoro de grande porte que costuma andar quase sempre em dupla. A palavra jacu vem do Tupi e significa "o que come grãos". Quando abre as asas, faz sombra no entorno. 

Ele voam pelo arvoredo da nossa casa, andam no quintal e visitam diariamente a sacada do meu gabinete. Ofereço-lhes bananas e milho.

Os grãos de café recolhidos das fezes do jacu produzem um dos cafés mais caros do mundo.

Dizem que ter jacu por perto favorece a espiritualidade, pois ele possui forte energia espiritual. A ave seria símbolo de coragem, ousadia e conexão com o divino. Não sei de onde vem isso. Mas não importa. O que sei é que é bom tê-los por perto.

terça-feira, 23 de julho de 2024

O tempo das magnólias

                                                                                                                                       J.F.

photo: jfinatto

Inverno é tempo das magnólias que voltam para iluminar os jardins, dos mais humildes aos mais ricos, depois da tenebrosa pandemia, da trágica enchente, das inúmeras e irrecuperáveis perdas. 

Um tempo mais doce do que amargo, o das magnólias. 

Um tempo agridoce, um tempo de esperança.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

As frentes frias

                                            Jorge Finatto

photo: jfinatto

                           

Em meio à difícil e, ao mesmo tempo, prazerosa faina da escrita, parei um momento para ouvir música. O grande maestro e compositor espanhol Joaquín Rodrigo (que era cego) iluminou o gabinete  com sua arte linda e profunda. Foi a conta de ser feliz. Fechei os olhos e deixei o mundo girar...

Recordo que, uma vez, há muitos anos, perguntaram à atriz Tônia Carrero se ela se considerava uma pessoa feliz. Ela respondeu mais ou menos assim (cito de memória): Eu sou feliz algumas vezes durante o dia.

Fiquei com aquela declaração na cabeça, tratava-se de uma sábia síntese existencial. Ora, se até Tônia Carrero tem lá seus momentos de não-felicidade, o que dizer de nós, meros mortais, distantes dos palcos iluminados desta vida...

Dificuldades existem para todos, mas toda a gente pode ser feliz em algum momento.

Em outra feliz percepção filosófica sentenciou o cantor e compositor Odair José,  cantarolando como quem não quer nada: Felicidade não existe: o que existe na vida são momentos felizes.

Faz um frio de congelar até pensamento nos últimos dias aqui na montanha, as famosas frentes frias que vêm lá da Antártida.

A felicidade é um pássaro que habita o coração. Às vezes canta.

Os ares e ventos polares deixam as almas introspectivas...

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photo e texto: jfinatto

sábado, 29 de junho de 2024

La rosa

                                            Jorge Finatto

                     


Por mais que pensem, e pensam, a busca não foi em vão . Está no meu jardim. Por isso, quando atravessar por ele, não faça como se nada tivesse acontecido. Houve a rosa, e tudo valeu.

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text, photo: jf

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Esse olhar

                                              Jorge Finatto

Esse olhar que me olha do galho seco do plátano pode ser de espanto ou simples desconfiança ao me ver mirando-o através do olho frio da câmera. 

Aqui no gabinete eu já o amo só de vê-lo, lindo ser vivo perto da minha janela. 

O papagaio-da-serra ou charão me faz feliz só por existir na tarde cinzenta de junho.

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photo:  JF

terça-feira, 18 de junho de 2024

Parar o tempo

                                              Jorge Finatto


Entre as flores de lavanda o beija-flor exerce sua essência. A vida é breve. Sempre haverá um jardim e um beija-flor para iluminar o dia e parar o tempo. 

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photo, texto: JF

terça-feira, 11 de junho de 2024

Estrada nova

                                           Jorge Finatto

                             


A beleza da vida é que sempre há uma estrada nova querendo ser caminhada.

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photo: jfinatto, Canela, RS

terça-feira, 28 de maio de 2024

Encontro no Menino Deus

                                                              J.F.


A vida, a beleza que ela tem, é capaz de surpreender até as almas mais rudes e as mais tristes e desiludidas também. 

Nesse dilúvio que nos encharca o espírito, nos maltrata o coração, destrói casas e pontes, apaga histórias, não é fácil encontrar encanto.

Mas certas coisas afastam o desespero, mostram que a vida insiste em não naufragar em meio ao grande deserto das águas.

Como a pomba que voltou à arca com a folha de oliveira no bico mostrando a Noé que as águas tinham baixado, o sanhaço pousou na árvore diante da janela de Clara, no bairro Menino Deus. 

E ali ficou olhando um tempo pra ela como a dar-lhe as boas novas, boas vindas, saudando seu retorno ao lar. E Clara maravilhou-se e fez essa foto.

Deus iluminou outra vez a minha filha e o Menino Deus.
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photo: Clara Finatto, 27.5.24.

domingo, 26 de maio de 2024

Flor-de-maio

                                                             J.F.


                                                          

Pra não dizer que o mês de maio foi só essa desmesurada tragédia, eis que surge a flor- de-maio. Em meio à imensa sombra que caiu sobre o nosso Rio Grande do Sul, a flor de maio vem nos trazer um instante de beleza e alumbramento. E, por que não?, anuncia a chegada de melhores dias.

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photos: jf