J.F.
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| Jf |
No alto da palmeira, as folhas em forma de espada protegem sua donzela. Enquanto eu, singelo jardineiro, deixo a faina de lado para me encantar com ela.
a vida de todos os dias, a que eu sempre quis {textos e imagens: Jorge Finatto}
JF.
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| photo: jf |
JF
Verde esperança, verde pássaro, verde vento, verde que te quiero verde, verde caturrita, sonhos verdes, verdes manhãs, corações verdes, verdes abacates, verdes dias, verdes temperos, verdes arautos, verdes memórias, verdes matas do meu país, rios e mares verdes, verde luta, verde resistência,
verde que te quiero verde
verde
verso eterno de Federico García Lorca, para desejar
Um verde 2025!
(photo de Ricado Gasparin, no jardim)
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Não bastassem as graves consequências das enchentes de maio, agora vem por cima das nossas cabeças a espessa e sufocante fumaça dos incêndios florestais na Amazônia, Cerrado, Pantanal, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros lugares.
É triste ver os céus do Rio Grande tomados por essa fumaça sem precedentes. Há diversos dias o azul desapareceu, o Sol se escondeu, a Lua sumiu, a fuligem tóxica se espalhou. O uso de máscaras voltou a ser necessário.
Especialistas preveem o aumento de doenças respiratórias com incremento de mortes. Fala-se, também, que grande parte dos incêndios é criminosa. A flora e a fauna dos locais incendiados padecem brutalmente.
A recente tragédia levou muitas vidas e causou enormes danos (o aeroporto de Porto Alegre ainda não voltou a funcionar). Agora mais isso. O problema não é de Deus, é da turma aqui da planície, no Brasil e em muitos outros países.
O planeta e a vida nele estão afundando. Não por falta de ciência, mas por falta de consciência. Como não existe Planeta B, é mais do que hora de cuidar desse (pequeno e maltratado mundo azul), enquanto houver tempo.
Jorge Finatto
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| photo: Hannah McKay , Reuters. |
Das coisas que vi nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 a mais impressionante foi o gesto das atletas americanas de ginástica artística, no pódio, reverenciando a ginasta brasileira Rebeca Andrade. As americanas, uma de cada lado de Rebeca, dobraram um dos joelhos e estenderam os braços, saudando a brasileira galardoada com o ouro olímpico.
Simone Biles e Jordan Chiles enalteceram o espírito olímpico, a competição saudável, o respeito ao outro, colocando a fraternidade e a sororidade como valores acima da disputa. Rebeca retribuiu o gesto segurando as mãos de ambas. Porque, para as três, competir é uma forma de convivência e não de eliminação ou destruição do competidor adversário.
Ganhar uma medalha olímpica pode ser ótimo, mas mais do que isso o que vale é estar junto, vivendo um momento de prática esportiva baseada na dedicação e na superação. Só é possível essa competição, como é óbvio, porque existe o outro para dividir a experiência.
A reverência de Biles (considerada uma divindade no mundo da ginástica) e Chiles foi o fato mais representativo e belo destas olimpíadas. No esporte como na vida um dia se ganha e noutro, não.
Não existem vencedores e perdedores definitivos. Uma lição de humildade e transitoriedade que enaltece a todos. O contrário disso é passar o resto da vida numa eterna corrida de espermatozoides que não faz muito sentido.
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Jacu, também conhecido pelo nome científico de penélope obscura, é um herbívoro de grande porte que costuma andar quase sempre em dupla. A palavra jacu vem do Tupi e significa "o que come grãos". Quando abre as asas, faz sombra no entorno.
Ele voam pelo arvoredo da nossa casa, andam no quintal e visitam diariamente a sacada do meu gabinete. Ofereço-lhes bananas e milho.
Os grãos de café recolhidos das fezes do jacu produzem um dos cafés mais caros do mundo.
Dizem que ter jacu por perto favorece a espiritualidade, pois ele possui forte energia espiritual. A ave seria símbolo de coragem, ousadia e conexão com o divino. Não sei de onde vem isso. Mas não importa. O que sei é que é bom tê-los por perto.
J.F.
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| photo: jfinatto |
Inverno é tempo das magnólias que voltam para iluminar os jardins, dos mais humildes aos mais ricos, depois da tenebrosa pandemia, da trágica enchente, das inúmeras e irrecuperáveis perdas.
Um tempo mais doce do que amargo, o das magnólias.
Um tempo agridoce, um tempo de esperança.
Jorge Finatto
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| photo: jfinatto |
Em meio à difícil e, ao mesmo tempo, prazerosa faina da escrita, parei um momento para ouvir música. O grande maestro e compositor espanhol Joaquín Rodrigo (que era cego) iluminou o gabinete com sua arte linda e profunda. Foi a conta de ser feliz. Fechei os olhos e deixei o mundo girar...
Recordo que, uma vez, há muitos anos, perguntaram à atriz Tônia Carrero se ela se considerava uma pessoa feliz. Ela respondeu mais ou menos assim (cito de memória): Eu sou feliz algumas vezes durante o dia.
Fiquei com aquela declaração na cabeça, tratava-se de uma sábia síntese existencial. Ora, se até Tônia Carrero tem lá seus momentos de não-felicidade, o que dizer de nós, meros mortais, distantes dos palcos iluminados desta vida...
Dificuldades existem para todos, mas toda a gente pode ser feliz em algum momento.
Em outra feliz percepção filosófica sentenciou o cantor e compositor Odair José, cantarolando como quem não quer nada: Felicidade não existe: o que existe na vida são momentos felizes.
Faz um frio de congelar até pensamento nos últimos dias aqui na montanha, as famosas frentes frias que vêm lá da Antártida.
A felicidade é um pássaro que habita o coração. Às vezes canta.
Os ares e ventos polares deixam as almas introspectivas...
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photo e texto: jfinatto
Jorge Finatto
Por mais que pensem, e pensam, a busca não foi em vão . Está no meu jardim. Por isso, quando atravessar por ele, não faça como se nada tivesse acontecido. Houve a rosa, e tudo valeu.
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text, photo: jf
Jorge Finatto
Esse olhar que me olha do galho seco do plátano pode ser de espanto ou simples desconfiança ao me ver mirando-o através do olho frio da câmera.
Aqui no gabinete eu já o amo só de vê-lo, lindo ser vivo perto da minha janela.
O papagaio-da-serra ou charão me faz feliz só por existir na tarde cinzenta de junho.
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photo: JF
Jorge Finatto
Entre as flores de lavanda o beija-flor exerce sua essência. A vida é breve. Sempre haverá um jardim e um beija-flor para iluminar o dia e parar o tempo.
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photo, texto: JF
Jorge Finatto
A beleza da vida é que sempre há uma estrada nova querendo ser caminhada.
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photo: jfinatto, Canela, RS
J.F.
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Mas certas coisas afastam o desespero, mostram que a vida insiste em não naufragar em meio ao grande deserto das águas.
Como a pomba que voltou à arca com a folha de oliveira no bico mostrando a Noé que as águas tinham baixado, o sanhaço pousou na árvore diante da janela de Clara, no bairro Menino Deus.
E ali ficou olhando um tempo pra ela como a dar-lhe as boas novas, boas vindas, saudando seu retorno ao lar. E Clara maravilhou-se e fez essa foto.
Deus iluminou outra vez a minha filha e o Menino Deus.
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photo: Clara Finatto, 27.5.24.
J.F.
Pra não dizer que o mês de maio foi só essa desmesurada tragédia, eis que surge a flor- de-maio. Em meio à imensa sombra que caiu sobre o nosso Rio Grande do Sul, a flor de maio vem nos trazer um instante de beleza e alumbramento. E, por que não?, anuncia a chegada de melhores dias.
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photos: jf