segunda-feira, 11 de outubro de 2021

600 mil vidas

 Jorge Finatto


photo: jfinatto


Quantas dessas 600 mil mortes por covi-19 poderiam ter sido evitadas se houvesse um pouco mais de afeto social e bom senso?

A vida é muito mais do que a politização dessa tragédia. Ninguém merece perdê-la pelo negacionismo dos que têm o dever de preservá-la. O Brasil é muito melhor do que isso.

Devemos nos negar a habitar o imenso cemitério que inventaram ao nosso redor.

Resistir até que o pesadelo acabe.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Resquício de primavera

 Jorge Finatto

photo: jfinatto


O vento soprou nas ruas do bairro hoje, varreu folhas mortas, choveu um pouco, esfriou, depois houve um silêncio. 

A primavera mal começou e o inverno voltou com sua mala cheia de presságios, suas fotos e cartas antigas, suas bonecas de porcelana, seus segredos. 

Ficou um resto de azul nas poças d'água, um aroma de flor na calçada, resquícios de primavera.

Me lembrei de quando andávamos sem máscara pela cidade. Faz tantas luas. Senti saudade. E os dias nem eram tão lindos assim. O tempo anda doido (doído). Sei lá.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A arte de ser juiz

 Jorge Finatto

photo: jfinatto, 20.set.2021


Faz hoje 30 anos que tomei posse como Juiz de Direito. Após rigoroso concurso público, restaram aprovados e tomaram posse naquele dia radioso15 juízes, entre mulheres e homens. Uma turma valorosa e profundamente dedicada ao serviço da sociedade. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. A todos os Colegas o meu abraço.
Reproduzo 'A arte de ser juiz', texto que escrevi e publiquei há muitos anos, sem intenção professoral, que resume a minha visão do difícil e honroso ofício.


Ser um bom juiz resulta de um tipo de sabedoria que não se aprende somente em livros técnicos. Nem decorre de uma progressiva conquista de graus acadêmicos. É algo maior e mais profundo.

O juiz que fará bem a seus semelhantes e trabalhará pela dignidade da vida, ao contrário de complicar e piorar as coisas, será aquele capaz de ouvir e respeitar as pessoas nas suas intransferíveis circunstâncias.

A justiça começa nas relações mais simples do dia a dia, em casa, na rua, no ambiente de trabalho, em comportamentos éticos que são, na aparência, bastante prosaicos, mas que acabam construindo todo o resto.

Amar as pessoas e a justiça é a condição primeira para ser juiz.

Não se ingressa na magistratura pensando no status da profissão, no valor do subsídio, nas garantias que cercam o cargo - que visam a proteger a sociedade e não a pessoa do juiz. Esses atrativos são insuficientes para manter alguém que não é do ramo na função. Dedicação, capacidade de renúncia, entusiasmo, reflexão e estudo permanentes são algumas das exigências.

A magistratura é a típica atividade que se destina a mulheres e homens com vocação, que buscam no ideal de bem servir a sua realização.

Pelo menos três pilares são fundamentais na formação do juiz: ética, humanismo e técnica.

Quando é que alguém se torna juiz? Muitos acham que isso ocorre quando o candidato é aprovado no extenuante concurso público, é nomeado e toma posse no cargo. Mas não é elementar assim.

A pessoa torna-se magistrado muito tempo antes do concurso. O que realmente define quem se tornará juiz é a essência e a atitude de cada um diante da existência. 

A luta por uma vida mais justa e solidária está na alma do julgador. Existe uma imposição de ordem interna que o leva a decidir-se pela profissão, ainda que isto não esteja muito claro na adolescência e mesmo no início da vida adulta.

A gente se prepara para ser juiz uma vida inteira, pois todo dia é dia de viver e aprender.

Coisas como agressividade, excesso de vaidade, cinismo, indiferença e fanfarronice não combinam com a toga.

Um temperamento humilde, diferente de subserviente ou arrogante, disposto a respeitar, mais do que tolerar, as diferentes visões de mundo, é sempre muito importante. Ninguém é dono do conhecimento e da verdade.

Não existe modelo pronto de juiz. O magistrado terá de construir o seu. Por outro lado, não faltam exemplos de pessoas que dignificam o ofício.

Pensar de modo mais criativo e humanista o ingresso na magistratura, e a própria construção do Poder Judiciário brasileiro, é o desafio que temos em tempos tão difíceis.

A dura realidade exige magistrados mais participantes e comprometidos com o bem-estar da sociedade. Cada vez mais o Judiciário é chamado a decidir sobre situações que afetam a vida de todos. As dores e os dramas das pessoas chegam aos juízes a toda hora em todos os dias do ano.

A busca de uma existência mais feliz e harmônica é a razão de ser da atividade jurisdicional.

O que se pede ao juiz não é que seja um super-herói, mas que decida como um ser humano sensível, e saiba olhar com os olhos do coração, com a mesma empatia com que todos – juízes e não juízes - esperamos ser tratados nas horas difíceis.

Empatia, a sua dor no meu coração.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O rio do tempo

 Jorge Finatto

Lua e estrela. photo: jfinatto. 9/9/21


O tempo, às vezes, aparece, em sonho (será, talvez, um pesadelo), como um rio que corre sem parar e nos leva de arrasto com ele até uma imensa cachoeira. Um dia caímos no desconhecido que chamamos morte. Desaparecemos no sumidouro. 

Carrego essa imagem recorrente que é uma metáfora do inevitável fim que nos persegue. A única hipótese de salvação é que Deus não nos esqueça e nos faça ressuscitar. Do contrário será a irremissível vitória do esquecimento sobre o milagre da vida.

sábado, 4 de setembro de 2021

Perdendo contato com a torre

 Jorge Finatto

Castelo de Gruyères, Suíça. jfinatto


Na quarta-feira saí para dar uma volta no bairro, em Porto Alegre, levando o Gambelo a passear. Na frente de um edifício, no gramado interno, reconheci um vizinho de muitos anos que ali estava com seu cachorrinho. Percebi que lembrou de mim, ainda que de um jeito meio vago. Aproximei-me para cumprimentá-lo. Não nos víamos há mais de três anos, desde que fui morar no interior. Perguntei-lhe como estava.

Ele respondeu que estava bem e quis saber meu nome. Estranhei mas respondi. Ele então falou que conhecia outro Finatto, seu vizinho, que morava ali perto. E era juiz. Indagou se eu não o conhecia. Respondi que não, mas que também morava no bairro, naquela rua, e tinha a mesma profissão. Pensei que ele ia se dar conta. Ele ficou surpreso...

Dei-me conta de que meu vizinho de mais de 20 anos não me reconhecia mais. Está com 80 anos e aparenta boa forma física. Engenheiro, construiu muitos prédios. Era capaz de recordar quem eu era, no passado, sabendo alguns detalhes da minha vida, mas não me reconhecia no presente. Voltei pra casa desalentado.

Comentei com um médico que disse tratar-se, possivelmente, de Alzheimer. A pessoa "perde contato com a torre", disse ele, tem falta de memória, fica desorientada, não reconhece pessoas, coisas que acontecem aos vivos, ninguém está livre, etc. 

Eu fiquei muito tocado com o episódio. É duro demais. Rezo pelo meu vizinho desejando que siga a vida. De qualquer forma, seja feliz com ou sem memória.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Vivendo e escrevendo

 Jorge Finatto

capa livro Viveiro, 1981


Há 40 anos escrever, e publicar, poemas era um ato de vida e de resistência. Em meio à ditadura civil-militar, era preciso cultivar a esperança, a beleza da palavra, o direito de viver e lutar por dias melhores diante da escuridão vigente. Importava menos a literatura em si do que o grito.
Já não tenho 24 anos e seria absurdo voltar ao calabouço depois de conhecer a claridade da democracia (ainda que imperfeita).
A pior democracia é melhor do que a melhor das ditaduras, sejam elas de esquerda ou direita.

Seria demais esperar que os donos do poder refletissem sobre isto? Sobre o que quer que seja?
Viveiro” (plaquete, livro artesanal) foi publicado em 1981, em São Paulo, pelo Grupo Sanguinovo, liderado pelo talentoso e incansável poeta Antonio Carlos Lucena, o Touchê. As apresentações foram escritas por Heitor Saldanha e Leila Míccolis. E a bela capa foi feita por Rita H. Pedroso.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Cerejeira do Japão

 Jorge Finatto

cerejeira do Japão. photo: jfinatto


As pequenas flores da cerejeira do Japão anunciam para breve a chegada da primavera.
Em setembro haverá menos mortos e doentes pela pandemia. Mais vigor com as vacinas, mais enfermos curados.

A vida se renova e com ela a esperança de dias mais claros, mente lúcida e coração calmo. Renascimento.

No meu jardim resiliente nascerão mais flores e os pássaros retornarão depois do longo e triste inverno.
Continuar vivo sob o Sol é o grande projeto de vida.

domingo, 1 de agosto de 2021

Rua de mulheres

 Jorge Finatto

Obra: Totenklage, de Hermann Scherer
Kunsthaus, Zurich, foto: Jfinatto

     Beco das minhas tristezas.
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas...
 
(fragmento de Última Canção do Beco, Manuel Bandeira) 

A Rua São João, onde vivi até os seis anos, era um resumo do mundo. Tinha toda gente ali. Gente muito pobre, gente remediada, gente com algum dinheiro metida a besta. Eu morava com os avós a meio caminho entre o início e o fim da rua. Meus amigos vinham dos dois lados.

Era uma rua de terra batida, pedras soltas. Por lá passavam carretas puxadas por bois levando lenha, tarros de leite, cestos com frutas, etc., além de conduzir pessoas para compras no centro da cidade, para a estação de trem, para a missa, hospital, visitas a parentes e cemitério. Às vezes corríamos atrás e pagávamos carona enquanto o carroceiro não percebia.
Tinha meninos e meninas de origem africana, italiana, árabe, portuguesa, alemã, sei lá mais o quê. De tempos em tempos apareciam uns ciganos que acampavam com suas tendas, seus tachos e panos coloridos, ficavam um tempo e depois iam embora.
O pai de um amigo era mágico, outro fazia vinho no porão, um outro emprestava dinheiro, outro via o futuro nas folhas da videira, tinha também um carteiro, uma benzedeira e uma parteira, Dona Noca (que me trouxe à luz).
Havia uma família que assaltava bancos. Eu era muito amigo do menino desta família. A polícia ia lá de vez em quando e levava o pai e os irmãos mais velhos dele. Depois eles voltavam. Até que um dia a família anoiteceu e não amanheceu, foram embora de madrugada pro Paraná. Nunca mais vi o Paulinho.
A vida não tinha novidades. Uma noite um vizinho (Luís, o comunista) estendeu um grande lençol branco na frente de sua casa e começou a passar um filme. Aquilo foi um assombro, mexeu com todo mundo. Dali por diante passou a exibir filmes duas vezes por mês. Levávamos as cadeiras de casa, pipoca e outras coisas. O Natal era triste como as noites de domingo para nós, pobres. Mas os dias de cinema eram a maior alegria graças ao Luís. Diziam que filmes, projetor e etc. ele tinha trazido da Rússia.
Diziam os homens mais velhos que a nossa rua tinha sido rua de mulheres há muitos anos. Algumas venerandas senhoras ainda viviam por lá mas já então aposentadas do ofício e com família.
Contavam eles que as mulheres da vida recebiam os homens das mulheres que não eram da vida para oferecer-lhes coisas que não tinham com as esposas. Era um complemento necessário para a harmonia do casamento, segundo falavam enquanto jogavam truco. E, além do mais, evitava que os rapazes buscassem sexo com meninas casadoiras retirando-lhes o selo da virtude.
As putas eram fiadoras dos "bons costumes e da moral". Viviam, porém, no subsolo, no qual a "gente de bem e honesta", hipocritamente, insistia em enterrá-las. Eu não entendia nada daquilo.
Mas depois tudo se esquecia, porque era talvez o melhor a fazer. Afinal, São João era o Apóstolo que a todos iluminava na treva, na injustiça, na dor. O homem que escreveu o Apocalipse não havia de nos deixar à deriva no abismo da condição humana.

A Rua São João foi nossa ilha de Patmos, lugar humilde e esquecido. Fragmento de uma civilização da qual era apenas um minúsculo reflexo. O apóstolo, porém, vivia lá conosco e, comovido, deve ter escrito muitas histórias daquele pequeno mundo.

domingo, 25 de julho de 2021

São Miguel e Almas

Jorge Finatto

photo: jfinatto


A fúria do tempo não dá trégua e açoita os vivos. Os que são por um instante. 

No alto da colina os mortos velam a cidade. Olham o Guaíba e os marinheiros que partem cedo da manhã nos cargueiros para outros mundos.

Os mortos observam a cidade do alto da colina. Não há movimento nas ruas, casas, praças, parques e edifícios. Os vivos adormecem em fundas grutas de sombras e cansaços. 

Os mortos na alta colina procuram sentidos e não há mais sentidos. 

Na cidade dos mortos os mortos velam os vivos.

sábado, 10 de julho de 2021

Sexo gostoso

 Jorge Finatto

Lago Lugano. Suíça. photo: jfinatto


Na adolescência, tive uma namorada que reclamava porque eu não fazia sexo com ela. Dizia que eu era paternalista, meio estranho. De fato eu vivia com a cabeça nos meus livros, distante do mundo, numa caverna existencial cheia de perdas, seres voláteis, sombras e mistérios. Acho que buscava outras realidades, transcendentes, inventadas, porque a minha, de estudante pobre e sem perspectiva, vindo do interior, em plena ditadura militar, era muito dura.  

Gostava de caminhar com ela de mãos dadas, tomar um café, sentar numa praça, andar na chuva, saber de sua vida, falar da minha. Eu achava tão bom ficar desse jeito, conversando, que nem precisava sexo. Era, talvez, um modo diferente de transar. Mas ela não entendeu assim. Não demorou muito, terminou comigo, claro. E eu fiquei sem aquele sexo gostoso.
 

domingo, 27 de junho de 2021

Guaíba, mar de lembranças

Jorge Finatto

Rio Guaíba. photo: jfinatto


As lembranças mais antigas que carrego de Porto Alegre estão ligadas ao Rio Guaíba. Rio que especialistas em assuntos hídricos denominam lago. 

Eu jamais cederei ao conceito científico de chamar de lago o meu amigo Guaíba. Nos conhecemos de muitas décadas pelos nomes com que fomos apresentados, na infância ainda, não tem por que mudar isso. 

Quando ando perto dele, sinto no rosto a brisa ou o vento que vem de seu eterno movimento, e do mar. O aroma adocicado de suas águas impregna os barcos de madeira dos pescadores. 

Os habitantes das ilhas adivinham o mau tempo pelo encrespado nervoso das ondas. Às vezes um grande navio adentra ou sai lentamente pelo canal. Chegadas e partidas do povo das águas. 

O cais ensina que todos estamos de passagem. 

Tinha seis anos quando viemos - os avós e eu - visitar a família em Porto Alegre. Ficamos no pequeno apartamento da Rua Washington Luiz de frente para o Guaíba.

O que era para ser uma simples viagem de passeio transformou a minha vida. A avó morreu, de repente, no sofá da sala, assistindo à televisão comigo ao lado. Nunca mais voltei para a casa serrana.

Foi ali que, com os olhos cheios de lágrimas, esperando o bonde passar, atravessei a rua e visualizei de perto, pela primeira vez, o rio, longo, largo, cheio de vida. 

Os pequenos barcos, as grandes embarcações. As gaivotas, os biguás, os peixes. A solidão.

O Guaíba foi meu primeiro amigo em Porto Alegre.

José Paulo Bisol

 Jorge Finatto


Li agora, no informativo da Ajuris, que morreu ontem José Paulo Bisol aos 92 anos. Desembargador aposentado, desenvolveu também intensa atividade como homem público na política após a aposentadoria. Lembro dele antes da política como comentarista de futebol, no século passado, acho que na TV Educativa. Teve presença marcante também na TV Gaúcha uma época. E, sobretudo, para mim, como apresentador de um comentário, às 7 da manhã, na Rádio Gaúcha, Bom Dia, Mano, se não me engano era o nome. Eu morava então numa quitinete na beira do Guaíba, trabalhava como revisor de livros e a vida era na sobrevivência, raça pura. O comentário do Bisol me ajudava a enfrentar a dureza do cotidiano. Uma escuridão tremenda ainda sob os efeitos da ditadura militar que assolou o país (1964-1985). Nunca esqueci a força, a energia, a crença no amanhã que ele passava nas palavras. Como juiz estive com ele uma única vez, quando ele era Secretário da Segurança Pública do Estado, governo Olívio Dutra, num Encontro de Execução Penal do Tribunal de Justiça. Não houve oportunidade de dizer-lhe o quanto suas lúcidas e cálidas palavras tinham sido importantes. Fica aqui o registro. Que Deus o acolha no coração.

domingo, 20 de junho de 2021

500 mil vidas perdidas

   Jorge Finatto

             

Em memória dos 500 mil mortos durante a pandemia covid-19 no Brasil

"A pessoa tenta puxar o ar para dentro dos pulmões mas o ar não vem. Uma, duas, três, várias vezes. Até que o ar não é mais preciso. A pessoa não está mais ali. Meu pai do céu amado!" 

De um sobrevivente de UTI.

A todos aqueles que subestimaram a pandemia e negaram seu imenso poder de destruição está reservado um capítulo na história. Como se diz, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Ninguém foge disso.

Muitos dos que debocharam e ainda hoje debocham da gravidade do que estamos vivendo, da dor e do sofrimento de milhões de pessoas, amanhã ou depois, diante de um tribunal local ou internacional, haverão de fazer-se de inocentes ou arrependidos. Mas então será tarde. 

Tiveram todas as chances de perceber o que estava acontecendo e de agir de modo diferente e, no entanto, desprezaram os fatos movidos sabe-se lá por quais sentimentos.

Como se o horror de 500 mil mortos fosse o preço razoável (e necessário) a pagar pelo aumento do pib.

Como se todas essas mortes fossem inevitáveis e não fruto da mais abjeta e cultivada maldade de uns e ignorância de outros.

Como se medidas simples e universalmente aceitas não fossem capazes de evitar muitas dessas perdas, se tivessem sido adotadas tempestivamente em programa nacional de prevenção voltado para a população em todos os entes federados.

Como se a politização da pandemia, o conflito permanente, a vaidade pessoal exacerbada, a sede absurda de poder não fossem a chave do abismo. O futuro chegará e haverá julgamento para todos que usaram a pandemia para obter vantagem.

500 mil vidas perdidas serão registradas para sempre na História e permanecerão em nossos corações, nas nossas preces e na memória das gerações que virão.