sexta-feira, 25 de outubro de 2019
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Domingo com garça
Jorge Finatto
![]() |
| fotos: jfinatto. local: Grêmio Náutico União |
Na TARDE de domingo, caminhando pelo bairro, encontrei uma garça no parque. Branca como nuvem, cerca de 80 cm de altura. Pisava na água que escorria da fonte. Deve ter voado 6 km para vir do Guaíba até ali.
O Guaíba ainda é um viveiro de peixes e aves apesar dos despejos diários de esgoto não tratado em suas águas. Porto Alegre trata em torno de 50% de seus resíduos, o restante vai in natura para o rio.
E do rio vem a água que bebemos, cozinhamos, nos banhamos... Incrível que numa época de tanta tecnologia avançada ainda não conseguimos resolver este problema.
E do rio vem a água que bebemos, cozinhamos, nos banhamos... Incrível que numa época de tanta tecnologia avançada ainda não conseguimos resolver este problema.
Mas ali estava a garça. Com passos elegantes pra lá e pra cá. Alçava breves voos no entorno, olhava o lugar. Uma bela visão. Convenhamos que, para uma tarde qualquer de domingo, não é pouca coisa.
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Carlos Lyra e Wanda Sá
Assisti à apresentação do compositor e cantor Carlos Lyra e da violonista e cantora Wanda Sá no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, na quarta passada (02/10). Ele com 86 anos, ela com 75. Lyra está na origem da Bossa Nova, nos anos 60, autor de clássicos como Se é tarde me perdoa, Maria ninguém, Quem quiser encontrar o amor e Coisa mais linda, entre tantos. Wanda Sá participou do movimento ao lado de grandes nomes.
Chamou a atenção a faixa etária da assistência, na maioria pessoas idosas. Fiquei na dúvida: será que os jovens não se interessam por Bossa Nova? Outra: existe clima para o lirismo, a suavidade e a beleza da Bossa Nova na realidade brasileira atual?
Pode ser que a explicação esteja, também, em parte, no preço dos ingressos, média de cento e oitenta reais a plateia (bastante salgado nesses tempos).
Enfim, um momento inesquecível de reencontro com a música brasileira. Ver Carlos Lyra em plena atividade, com seu talento e seu charme, é encorajador, o mesmo podendo ser dito de Wanda. Que continuem seus shows pelo país para que os jovens saibam que o Brasil já foi mais feliz a ponto de produzir músicas como as da Bossa Nova.
sábado, 5 de outubro de 2019
Lançamento do livro de crônicas
Jorge Finatto
![]() |
| Cartaz de divulgação: Emily M. Borges, Ajuris. |
No dia 28 de novembro próximo, às 19h, na Escola Superior da Magistratura, em Porto Alegre, vou lançar o livro de crônicas Navegador de barco de papel.
Convido todos a embarcar comigo nesta viagem. Vamos dar uma volta pelo Guaíba e pela Via Láctea a bordo do barquinho.
Afinal, imaginar não custa nada, e sonhar é um dever.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Um dirigível pras estrelas
Jorge Finatto
| ilustração: Maria Machiavelli |
ESSA MANIA de escrever pra ninguém é mesmo coisa de doido, difícil de compreender, algo que se prestaria a estudos profundos sobre as razões que movem o ser humano.
Escrever para a nuvem, como se faz num blog, é mais ou menos como mandar uma carta para o espaço dentro de uma garrafa. Provavelmente não estaremos aqui para receber a resposta, quando e se vier.
Um arqueólogo da internet, daqui a alguns séculos (ou segundos, do jeito que as coisas andam depressa), escavará a superfície tênue da blogosfera atrás de registros feitos por antigos blogueiros em cavernas virtuais. Talvez encontre este texto.
O fato é que hoje, nestes confins, por força de um gelado outono (ou invencível melancolia), o cronista escreve para a nuvem e não consegue traçar a primeira palavra do texto de amanhã.
Não há leitores à espera destas mal-traçadas. Acho que nem haverá, além dos arqueólogos da internet. As pessoas têm mais o que fazer, vida difícil, tempo escasso, mil livros pra ler, passam bem sem leituras virtuais.
O problema, se é que existe, é do cronista nefelibata, que não encontra a primeira palavra. O tempo é de acender a lanterna em busca do caminho.
As palavras estão hibernando nos dicionários. Inspiração é só um estado de espírito, e escrever é mais do que isso.
Vivemos um tempo de secas esperanças, mas é preciso seguir em frente.
Como tarda amanhecer quando a escuridão é tamanha!
Nessa hora erma e côncava, vou mesmo é sair por aí no meu dirigível amarelo, deslizando entre nuvens, numa viagem pra fora do planeta. Quero ir subindo, subindo, numa longa curvatura de silêncio em direção às estrelas. Carrego comigo um novo calepino (como da primeira vez).
No meu dirigível pras estrelas.
Escrever para a nuvem, como se faz num blog, é mais ou menos como mandar uma carta para o espaço dentro de uma garrafa. Provavelmente não estaremos aqui para receber a resposta, quando e se vier.
Um arqueólogo da internet, daqui a alguns séculos (ou segundos, do jeito que as coisas andam depressa), escavará a superfície tênue da blogosfera atrás de registros feitos por antigos blogueiros em cavernas virtuais. Talvez encontre este texto.
O fato é que hoje, nestes confins, por força de um gelado outono (ou invencível melancolia), o cronista escreve para a nuvem e não consegue traçar a primeira palavra do texto de amanhã.
Não há leitores à espera destas mal-traçadas. Acho que nem haverá, além dos arqueólogos da internet. As pessoas têm mais o que fazer, vida difícil, tempo escasso, mil livros pra ler, passam bem sem leituras virtuais.
O problema, se é que existe, é do cronista nefelibata, que não encontra a primeira palavra. O tempo é de acender a lanterna em busca do caminho.
As palavras estão hibernando nos dicionários. Inspiração é só um estado de espírito, e escrever é mais do que isso.
Vivemos um tempo de secas esperanças, mas é preciso seguir em frente.
Como tarda amanhecer quando a escuridão é tamanha!
Nessa hora erma e côncava, vou mesmo é sair por aí no meu dirigível amarelo, deslizando entre nuvens, numa viagem pra fora do planeta. Quero ir subindo, subindo, numa longa curvatura de silêncio em direção às estrelas. Carrego comigo um novo calepino (como da primeira vez).
No meu dirigível pras estrelas.
_________
Texto revisto, publicado antes em 13.4.2014.
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Procuro um lugar
Jorge Finatto
![]() |
| photo: jfinatto |
PROCURO UM LUGAR de silêncio para apascentar a solidão. Um lugar na montanha, bom de estar com um chapéu velho, um capote, o óculos e um livro.
Um lugar pra domesticar o extravio. Longe de tudo, perto de todos.
Habitado por pássaros, flores e um córrego.
Um lugar onde o único rumor do mundo seja o som das asas da borboleta atravessando o bosque.
Habitado por pássaros, flores e um córrego.
Um lugar onde o único rumor do mundo seja o som das asas da borboleta atravessando o bosque.
_______
Texto revisto, publicado em 8.11.17.
domingo, 22 de setembro de 2019
A primeira primavera
Jorge Finatto
![]() |
| photo: jfinatto |
É PRIMAVERA outra vez. Mas, como sempre acontece, é como se fosse a primeira primavera. Faz um dia sólido, adorável, céu azul, 17ºC em Porto Alegre.
A cidade está quase vazia de automóveis em função do feriado. Tornou-se respirável e humana.
A cidade está quase vazia de automóveis em função do feriado. Tornou-se respirável e humana.
O ar transparente, macio. Sinto uma disposição especial de sair por aí, deixando para trás as cinzas do inverno.
Em dias assim vale a pena viver pela eternidade. Que a boa luz ilumine todos os seres e todas as coisas. Que meu coração não esqueça este breve momento de felicidade.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Refúgio
Jorge Finatto
![]() |
| photo: jfinatto |
Tudo tão frágil na vida
o mundo inteiro cabe num abraço
Medos povoam a insônia
a chuva lá fora é a infância
com seus tesouros submersos
no navio sem leme nem capitão
do tempo
Melhor me refugiar no teu corpo
fingir que tudo está tranquilo
arranjado e bom
como no útero
_______
Poema do livro O Fazedor de Auroras. Instituto Estadual do Livro, Porto Alegre, 1990.
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Navegador de barco de papel
Jorge Finatto
![]() |
| capa do livro |
Por razões de produção, o lançamento não ocorrerá mais em 24 de outubro, ficou para novembro em data a ser confirmada na semana que vem. Aguardemos. 03/10/2019
No dia 24 de outubro próximo, às 19h, na Escola Superior da Magistratura, em Porto Alegre, vou lançar o livro de crônicas Navegador de barco de papel. Convido amigos e visitantes do blog a embarcar comigo na nave. Vamos dar uma volta pelo Guaíba e pela Via Láctea a bordo do barquinho. Afinal, imaginar não custa nada, e sonhar é um dever.
Marcadores:
lançamento,
livro Navegador de barco de papel
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Um respiro
Jorge Finatto
![]() |
| photo: jfinatto |
Eu quero falar das azaleias que florescem pelas ruas da cidade preparando a primavera que não tarda. Um respiro num momento difícil.
Para quem como eu deplora a vulgaridade, a grossura e a visão autoritária, este é um tempo mau. Vivi o suficiente para saber que não existem salvadores da pátria. Que, por pior que seja, a democracia ainda é o menos ruim dos regimes políticos (parafraseando Winston Churchill). E que misturar política com religião não é bom sinal.
A tentativa de impor os próprios valores sobre os demais deve ser vista com preocupação. Tenho receio dos que se arvoram em donos da verdade verdadeira. Dos que falam sem parar, não escutam e não dialogam com quem pensa diferente. Esse comportamento desconhece a alteridade. Percebo o país à beira de um possível retrocesso, que esperamos não aconteça.
Mas as azaleias estão aí. Mostrando que há vida acima das vãs e perigosas vaidades do poder. Que a nossa esperança não se intimide diante da intolerância e da estupidez. A primavera vencerá a treva.
sábado, 7 de setembro de 2019
Tudo Azul
Jorge Finatto
![]() |
| Revista Azul. |
Na REVISTA AZUL do mês de setembro, da Azul Linhas Aéreas, foi publicada uma foto que fiz da Catedral de Montevideo em julho passado.
O voo da Azul entre Porto Alegre e a capital do Uruguai é muito bom. As aeronaves são novas. O atendimento a bordo e nos aeroportos é educado e eficiente. Percebe-se o preparo e o empenho dos tripulantes em seu mister. Equipamento e serviço nas alturas.
No voo de retorno a Porto Alegre, pela primeira vez viajei com uma mulher no comando do avião. E foi um voo exemplar. Li que a Azul é a empresa com maior número de mulheres pilotos. Tudo azul, enfim.
Marcadores:
Azul Linhas Aéreas,
Instazul
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
O cantor da primavera
Jorge Finatto
![]() |
| Sabiá-laranjeira. photo: Dario Sanches. Wikipédia |
UMA ALEGRIA era tudo o que eu queria por esses dias. O mundo em geral, e o Brasil em particular, andam muito tristes. Pois ela enfim chegou. Os sabiás voltaram a habitar a minha rua.
É uma alegria humilde, numa pequena rua. Mas enche o coração. Os sabiás voltaram a cantar, coisa que não acontecia há muito tempo. No meio de tanto barulho, gritos, discussões no trânsito, nos ambientes de trabalho, nos apartamentos, ouvir o sabiá é um pouco acercar-se do nirvana.
O sabiá é o cantor da primavera. Eu andava saudoso da bela música desse querido artista. A minha rua - singela ruazinha - sabe bem acolher os pássaros em suas árvores e vãos de telhado.
O ar está irrespirável no planeta. Pela queima de combustíveis e das florestas. Pelos profundos conflitos. Ninguém se entende e há poderosos fazendo o possível para confundir e piorar as coisas. O contingente humano em estado de sofrimento e precariedade é inumerável.
Ouvir o sabiá, nesta antiutopia, alivia a alma. Sinto uma felicidade que nem sei explicar. Uma dádiva. A vida perto do amanhecer.
sábado, 31 de agosto de 2019
"Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos"
Jorge Finatto
![]() |
| araucária. Canela. photo jfinatto |
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos. Tão lindo esse verso de Vinicius de Moraes.* O grande poeta brasileiro de quem, na adolescência, eu sabia quase todas as letras de música de cor, tanto me fascinavam sua lira e seu balanço. Isso sem falar dos poemas publicados em livros.
Não guardo os velhos sapatos de meu pai, nem dos avôs. Se os tivesse, carregariam terras da Itália nas solas gastas, e muito espanto, muitas perdas, muita angústia entre mundos tão diferentes. E muita gratidão pela vita nuova no sul do Brasil ao lado de outros expatriados como eles, inclusive aquele um trisavô (ou trisavó) cujos pais vieram como escravos da África.
Mas eis que hoje é sábado, último dia de agosto. Faz frio e chove em Canela. Estou no escritório folheando livros nas estantes. A neblina estende suas sedas brancas além das janelas.
No quintal a araucária vertical. Aqui na montanha se vê longe. Não fiquei com os velhos sapatos ancestrais, e gostaria. Mas trago tudo dentro de mim misturado. E sou como o pinheiro. Tenho espinhos, mas dou frutos.
________
*Jardim Noturno. Poemas Inéditos. Vinicius de Moraes. Poema "Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos", p. 30. Companhia das Letras, 1993. São Paulo.
Marcadores:
Jardim Noturno,
Vinicius de Moraes
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
O guardião da cidade-fantasma
Jorge Finatto
![]() |
| Shigeru Nakayama. photo: Bruno Kelly (Folhapress) |
Nos últimos dias, as queimadas na Floresta Amazônica chamaram a atenção do mundo, provocando protestos no Brasil e em muitos países. A pressão de líderes internacionais, somada às muitas manifestações, forçou o governo brasileiro a rever sua posição de inércia diante do aumento da devastação da Amazônia. Algumas medidas foram agora adotadas, mas falta muito ainda para se alcançar um nível razoável de efetividade no combate às ações ilegais que destroem a floresta, atentando contra os povos que lá vivem. Reproduzo a história do japonês Shigeru Nakayama, exemplo de amor àquela região, que serve de inspiração a todos nós.
AIRÃO VELHO é uma cidade em ruínas, nas margens do rio Negro, perdida na floresta amazônica. Nasceu em 1694 como Santo Elias do Jaú, primeira povoação daquela região ribeirinha, no atual Estado do Amazonas. Algumas décadas depois da fundação, os portugueses mudaram-lhe o nome para Airão Velho.
Cidades e vilas fantasmas não são propriamente raridades no Brasil. Não é por essa razão que Airão Velho virou notícia na Folha de São Paulo por esses dias*. Após o auge, durante o período do ciclo da borracha (final do século XIX, inícios do XX), foi gradativamente se esvaziando.
Na década de 1960, os últimos moradores partiram por falta de opção econômica e se estabeleceram a 100 km do local, na hoje Novo Airão, distante 120 km de Manaus.
O que restou da antiga cidade é cuidado pelo imigrante japonês Shigeru Nakayama, 65 anos, que vive ali sozinho num casebre há 13 anos.
Na década de 1960, os últimos moradores partiram por falta de opção econômica e se estabeleceram a 100 km do local, na hoje Novo Airão, distante 120 km de Manaus.
O que restou da antiga cidade é cuidado pelo imigrante japonês Shigeru Nakayama, 65 anos, que vive ali sozinho num casebre há 13 anos.
Ele sobrevive da pesca e de uma horta que cultiva nas cercanias do rio Negro, sem nenhuma ajuda do Estado no trabalho de conservação. As ruínas e objetos que fizeram parte da vida da comunidade são poucos e Shigeru assumiu a missão de dar-lhes guarida, antes que desapareçam:
- Não quero abandonar isso aqui, tenho paixão por esse lugar, disse ele ao enviado especial da Folha, jornalista Lucas Reis.
A história do guardião remonta ao ano de 1964, quando desembarcou no Brasil, aos 16 anos, em Belém do Pará, com os pais e mais três irmãos. Vinham de Fukuoaka, no Japão. Um dia foi convidado por uma integrante da família Bezerra (importante em Airão Velho), ex-moradora, para cuidar das ruínas. Ele aceitou a tarefa e começou a recolher os remanescentes históricos, formando um pequeno museu em sua casa. Na época de finados, limpa o cemitério. A patroa morreu em 2012, mas ele continua firme, cuidando e preservando o lugar.
![]() |
| photo: Bruno Kelly (Folhapress) |
Segundo Shigeru, o local é conhecido internacionalmente e recebe turistas, principalmente estrangeiros, além de pesquisadores. "Não restou quase nada, mas tem muita história", afirmou a Lucas.
Conforme a reportagem, sobraram poucas coisas: uma casa de comércio, uma residência, o cemitério, uma escola, restos da igreja construída em 1702.
O pedido de tombamento está sendo examinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Tomara que a resposta não tarde e seja positiva.
O pedido de tombamento está sendo examinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Tomara que a resposta não tarde e seja positiva.
A matéria da Folha, revelando o zelo do japonês em plena Floresta Amazônica, traz a idéia de que o mundo é quintal de todos, independente da nacionalidade e do lugar onde a pessoa resolve viver. Shigeru cuida daquele torrão brasileiro como se tivesse nascido lá. É uma relação de amor com a terra, com a memória dos que lá viveram, com a história da velha e extinta cidade.
Aquilo que para muitos seria motivo de insuportável solidão, para o imigrante é razão de realização e orgulho. Sua razão de viver. Tornou-se um filho da terra.
Esta história demonstra que o que vincula um indivíduo a um lugar é o sentimento e o compromisso que tem em relação a ele.
A ideia de pertencimento é coisa de coração e mente, não de papéis oficiais. São atitudes como a de Shigeru Nakayama que fazem a diferença entre a conservação e a destruição da Amazônia (e do próprio planeta).
A ideia de pertencimento é coisa de coração e mente, não de papéis oficiais. São atitudes como a de Shigeru Nakayama que fazem a diferença entre a conservação e a destruição da Amazônia (e do próprio planeta).
______________
Folha de São Paulo, edição digital de 29/12/2013. Reportagem do enviado especial Lucas Reis com fotos de Bruno Kelly (Folhapress):
Texto revisto, publicado em 02 de janeiro, 2014.
Marcadores:
Airão Velho,
floresta amazônica,
Japan,
Shigeru Nakayama
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Aviso aos navegantes
Jorge Finatto
![]() |
| barquinhos de papel: Clara Finatto |
Por razões de produção, o lançamento não ocorrerá mais em 24 de outubro, ficou para 28 de novembro, às 19h, na Escola Superior da Magistratura.
LANÇAMENTO do meu livro Navegador de barco de papel, crônicas, dia 24 de outubro próximo, na Escola Superior da Magistratura, em Porto Alegre. Resolvi publicar algo novo depois de doze anos sem dar o ar da graça em livro. Como diz aquela canção antiga, há sempre uma ilusão...Vamos navegar!
![]() |
Marcadores:
Navegador de barco de papel
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Peixes, garças e biguás
Jorge Finatto
![]() |
| photo: jfinatto |
Estive nas cercanias do ARROIO DILÚVIO perto do Guaíba. Conversando com gente que anda por ali, fiquei sabendo que ainda existem peixes em suas águas. Águas que atravessam uma parte da cidade carregando muita poluição, esgotos, móveis velhos, animais mortos, tudo que se possa imaginar. O Dilúvio nasce numa vertente limpa de mata para os lados de Viamão e desemboca no Guaíba. Há atualmente um trabalho no sentido de recolher esses detritos antes que cheguem ao rio.
Quando vim morar em Porto Alegre, aos sete anos, a orla do Guaíba tinha muitas praias que com o tempo foram extintas devido à poluição. A minha era ali na altura da Usina do Gasômetro, hoje Parque Harmonia. Aquela região foi recuperada em belo projeto do arquiteto paranaense Jaime Lerner. Mas as águas continuam poluídas.
O Guaíba é mais que um cartão-postal em minha/nossas vidas. É um ser vivente que nos alimenta e encanta com sua formosa visão até a Lagoa dos Patos. Há que tratar os esgotos, os resíduos, educar a população, estimular amor e cuidado.
O Dilúvio haverá de ser saneado um dia. Será amado como precisa e merece um ser vivo. Durante meu deslocamento por suas margens, vi um bando de biguás numa árvore. Vi também garças e gaivotas. Eles são a prova de que existem peixes no riacho, seu alimento. Existe vida. Ainda é tempo.
Assinar:
Postagens (Atom)




















